Publicado em: 08/04/2022
A maior parte
dos empresários do transporte rodoviário de cargas é contrária à política
de preços do óleo diesel em
vigor no país e enxerga no valor do combustível uma grande dificuldade para a
operação dos negócios.
As conclusões
integram uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (7) pela CNT (Confederação
Nacional do Transporte).
Segundo a
entidade, 87,5% dos entrevistados têm opinião contrária à política de preços
praticada pela Petrobras.
Apenas 3,9% são
favoráveis à estratégia seguida pela estatal. Outros 6% são indiferentes em
relação ao assunto, e 2,6% não sabem ou não responderam.
A pesquisa
ainda indicou que 82,3% dos empresários citaram os preços do diesel entre as
maiores dificuldades para operação dos negócios. É o maior percentual de
respostas entre os obstáculos mencionados pelo setor.
Em seguida,
aparecem a carga tributária (56,5%), a dificuldade de reajustar o valor do
frete (40,1%) e a burocracia na operação dos serviços (28%).
A Pesquisa CNT
Perfil Empresarial foi realizada no período de 8 de setembro a 8 de outubro de
2021. A amostra teve 464 entrevistas validadas.
A disparada dos
combustíveis no Brasil virou tema recorrente de manifestações de lideranças
políticas e empresariais.
A atual
política de preços da Petrobras, que envolve o diesel, leva em conta a variação
do petróleo no mercado internacional e o comportamento da taxa de câmbio.
Ao longo da
pandemia, os combustíveis tiveram forte avanço no Brasil. Com os efeitos
econômicos da guerra
entre Rússia e Ucrânia, a gasolina, o diesel e o gás de cozinha voltaram a
subir em março.
Na ocasião, a
Petrobras confirmou um mega-aumento nas
refinarias. O diesel subiu 24,9% à época.
A carestia
incomoda o presidente Jair
Bolsonaro (PL), que deve tentar a reeleição em 2022 e teme os impactos da
perda do poder de compra do eleitorado.
Pesquisa
Datafolha indicou que 68% dos brasileiros atribuem ao governo a
responsabilidade pela alta de combustíveis.
Nos últimos
meses, Bolsonaro enfileirou críticas à Petrobras e decidiu demitir
o presidente da companhia, general Joaquim Silva e Luna.
Inicialmente, o
governo indicou como substituto o economista Adriano Pires, atual
diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura). Porém, ele recusou
o convite, em meio ao debate sobre um possível conflito de interesses.
Pressionado a
encontrar uma nova alternativa, o governo indicou na quarta-feira (6) o nome
de José
Mauro Ferreira Coelho para presidir a Petrobras.
Coelho é
presidente do Conselho de Administração da estatal PPSA (Pré-Sal Petróleo S.A.)
e estava cumprindo quarentena, após ter pedido demissão, em outubro do ano
passado, do cargo de secretário de Petróleo, Gás e Biocombustíveis do MME
(Ministério de Minas e Energia).
Como mostrou
a Folha, a expectativa do mercado é de que o novo presidente mantenha
a política comercial da Petrobras.
Conforme dados
do IPCA
(Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), o óleo diesel
acumulou inflação de
40,54% em 12 meses até fevereiro.
Segundo
analistas, a disparada espalha
reflexos em setores diversos da economia brasileira, já que encarece o
transporte de cargas e passageiros.
A situação vem
gerando uma onda
de críticas de caminhoneiros ao governo e à Petrobras. Parte da
categoria chegou a organizar greves no ano passado, mas
as paralisações não ganharam corpo.
Fonte: Folha de
São Paulo / Foto: Jardiel Carvalho - 1º nov.2021/Folhapress