Publicado em: 20/03/2023
Setor de transportes de carga para o Porto de Paranaguá já
contabiliza R$ 320 milhões e a conta no Agronegócio chega a R$ 600 milhões nos
150 dias de problemas na rodovia, sem contar com toneladas de soja paralisadas
no campo.
Dirigentes da Federação da Agricultura do Paraná -Faep - e
da Federação das Empresas de Transportes de Cargas - Fetransapar - principais
responsáveis pela produção agrícola do Estado e seu consequente transporte para
o Porto de Paranaguá, querem intervenções rápidas na BR-277 porque, a cada dia
que passa, aumenta os prejuízos para os setores e à economia paranaense.
O agronegócio e o setor de transportes de cargas do Paraná
representam, juntos, 43% do PIB paranaense. Só a área do transporte emprega 320
mil pessoas e conta com 126 mil implementos rodantes. O agro emprega,
diretamente, 111 mil pessoas. O total pode chegar a 140 mil, quando se integra
os demais elos da cadeia.
Ágide Meneguette, presidente da Faep e Sergio Malucelli,
presidente da Fetranspar, estão inconformados e indignados com as perdas da
safra de soja para chegar ao porto exportador, devido ao jogo de empurra entre
governos estadual e federal para solucionar os problemas na BR-277, que já
passam de 150 dias.
Meneguette contabiliza, até o momento, prejuízos de R$ 600
milhões, enquanto Malucelli mostra uma planilha onde as perdas passam de R$ 320
milhões em 150 dias de morosidade para se encontrar uma solução definitiva na
principal rodovia que leva os produtos do campo para os centros con sumidores e
para o exterior.
Em reunião nesta quinta-feira, 18, Meneguette e Malucelli
sinalizaram com a contratação da empresa de consultoria Esalq Log, de Campinas
(SP), para realizar um estudo de levantamento dos prejuízos causados ao
agronegócio e ao setor de transportes de cargas, com os constantes problemas na
BR-277.
A Esalq Log- é uma empresa especializada na coleta de preços
de frete e armazenagem de commodities agrícolas em nível nacional. O Sifreca -
Sistema de Informação de Fretes - promove informação de preços de fretes
praticados no mercado de transporte de diversos produtos, através de pesquisas
periódicas.
Os indicadores gerados representam informações relevantes
para a caracterização da sazonalidade do comportamento de séries históricas de
fretes, que podem facilitar uma série de tomadas de decisão por parte dos
agentes envolvidos na negociação de transporte.
Outro braço da Esalq é o Siarma - Sistema de
Informações de Armazenagem - é um projeto cujo objeto de estudo é o
armazenamento de produtos agrícolas no Brasil. A partir da coleta de
informações primárias (quantitativas e qualitativas) e análise
dos custos para o armazenamento da produção, o Siarma gera
informações que, de maneira integrada com o Sifreca, são de elevada
importância para o dimensionamento de
trabalhos desenvolvidos pelo Esalq-LOG são derivados de
informações do Projeto Siarma:
? Levantamento e análise das tarifas de
armazenagem.
? Modelos matemáticos para localização de novos
armazéns e terminais de transbordo.
? Viabilidade de investimentos em novas
infraestruturas de armazenagem.
? Modelos aplicados à gestão de estoques.
? Uso estratégico da armazenagem.
? Análises de políticas
públicas voltadas à ampliação da capacidade estatística de armazenagem no
Brasil.
Muito além do problema logístico, a perda de
produtos no estágio de pós-colheita - num momento onde a produção de alimentos
precisa atender à demanda do crescimento da população - deve ser tratada como
uma questão de segurança alimentar.
Neste contexto, o Esalq-LOG – Grupo de
Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da EsalqQ/USP desenvolveu
um projeto técnico de levantamento de informações primárias sobre perdas
de pós-colheita em produtos agrícolas. Realizado com o apoio da Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o projeto resultou na
plataforma on-line denominada SIPPOC - Sistema de Informações de
Perdas de Pós-Colheita.
O objetivo principal foi consolidar um sistema que
disponibilizasse, além de indicadores de perdas de pós-colheita, também
metodologias de mensuração, estratégias de mitigação em cada estágio da
logística de suprimento das cadeias produtivas analisadas e por fim criar uma
ferramenta de cálculo de perdas em função das características do produto e da
região de interesse.
O ponto de partida do projeto foi a identificação
dos gargalos logísticos que prejudicam a competitividade dos produtos
brasileiros, que reduzem a disponibilidade de alimento que chega ao consumidor
e que aumentam o preço final do produto. Detectar e apontar medidas ligadas à
mensuração, à identificação e à minimização de perdas podem potencialmente
beneficiar diversos grupos da sociedade, tais como produtores, agentes ligados
à logística de transporte de produtos agrícolas e o próprio consumidor final.
A plataforma recebeu dados primários (coletados por
uma equipe de pesquisadores em campo), que foram agregados a dados secundários,
consolidados por indicadores levantados na literatura para diferentes produtos,
regiões e estágios das cadeias de suprimento.
A principal função do SIPPOC é oferecer um sistema
de informação como referência para auxiliar na tomada de decisões relacionadas
às perdas pós-colheita no estado de São Paulo, tanto por parte do setor público
quanto do setor privado. Tal estrutura permitirá a replicabilidade de
ferramentas para outras regiões no Brasil ou mesmo em outros países.
As informações sistematizadas estão disponíveis
numa plataforma on-line e de livre acesso, que envolve um website integrado com
um sistema de informações geográficas (SIG), ferramenta de cálculo de perdas e
demais informações consolidadas do projeto (métodos de mensuração de perdas,
indicadores de perdas de outros países, principais estudos de referência na
área. (Os dados são da Esalq Log).
Fonte: Paraná Portal / Foto: Paraná
Portal