Publicado em: 17/03/2023
Motoristas paranaenses têm enfrentando problemas nas
estradas nas últimas semanas. Devido às fortes chuvas, muitas rodovias
estaduais e federais sofreram danos. As interdições parciais e totais deixaram
o trânsito lento em alguns trechos, como na descida para o Litoral, causando
transtornos para os motoristas e caminhoneiros. Esses problemas podem trazer
prejuízos no transporte da safra agrícola até o Porto de Paranaguá, conforme
mostrou reportagem da FOLHA desta quinta-feira (16) “Interdições na BR-277
podem gerar prejuízo de R$ 600 milhões com a soja” (Economia/pág. 14).
Com o fim da concessão dos pedágios, em novembro de 2021, a
manutenção das estradas paranaenses ficou a cargo do DER (Departamento de
Estradas de Rodagem), nas vias estaduais, e do Dnit (Departamento Nacional de
Infraestrutura de Transportes), nas federais.
Procurado pela FOLHA, o DER/PR (Departamento de Estradas de
Rodagem do Paraná) informou que, no momento, mais 30 obras rodoviárias estão em
andamento, além de dezenas de contratos de conservação do pavimento em todas as
regiões do Estado. “A execução dos serviços busca reduzir ao mínimo possível o
impacto aos usuários, buscando sempre que possível manter ao menos uma faixa de
rolamento aberta ao tráfego”, diz o órgão.
Entre as rodovias estaduais que tiveram danos causados pelas
chuvas e necessitaram de intervenções estão a PR-182, entre Salgado Filho e
Flor da Serra do Sul, a PR-170, entre Bituruna e Pinhão, a Estrada da Graciosa
(PR-410), entre Morretes e Quatro Barras, a PR-090, em Campo Largo, a PR-082,
entre Douradina e Ivaté, e a PR-340, em Tibagi.
Além dessas, a PR-492, em Tamboara, teve afundamento no
pavimento e a PR-445, em Londrina, sofreu rachaduras no acostamento (leia mais
nesta edição). “Em ambos os casos serão realizados sondagens e levantamentos
para verificação da causa do dano, não sendo possível atribuir à chuva no
momento”, completa o DER.
O MPPR (Ministério Público do Paraná) se manifestou nesta
quinta-feira (16) e disse que a estrutura da PR-492 é objeto de uma ação civil
pública ajuizada pelo órgão. “O MPPR cobra, entre outros pontos, a elaboração e
execução de projeto de engenharia para a drenagem adequada de águas pluviais,
de modo a evitar a erosão no local, bem como a execução de obras para a
recuperação de áreas já afetadas”, diz o MPPR.
Em Londrina, o Crea-PR (Conselho Regional de Engenharia e
Agronomia do Paraná) informou que vai fiscalizar as rachaduras da PR-445. A
equipe do conselho irá ao local nesta sexta-feira (17) e fará um relatório do
sinistro, incluindo registro fotográfico e coleta de informações. “Após isso,
os fiscais abrirão um processo com solicitação de manifestação do DER, a
respeito do levantamento de causas e medidas a serem tomadas, e para apurar a
responsabilidade dos profissionais envolvidos na elaboração do projeto,
execução da obra, fiscalização da obra ou manutenção do trecho”, diz o órgão
FEDERAIS
Procurado pela reportagem, o Dnit afirmou, através de sua
assessoria, que não realiza levantamento de estradas com problemas ou do número
de interdições ocorridas, mas atualizou a situação das obras emergenciais que estão
em andamento.
No Km 33,5 da BR 277, em que houve o afundamento do asfalto,
há uma interdição de 1,1 quilômetro na descida da serra e o tráfego segue por
um desvio. No último sábado (11), foi feita a instalação de tachões no eixo do
desvio. O departamento aponta que os técnicos já concluíram os levantamentos de
topografia e que, na quarta-feira (15), as equipes realizaram “ensaios de
sondagem do solo em diversos pontos para avaliar a melhor solução no trecho”.
Perto dali, no Km 42, que sofreu com as chuvas no final do
ano passado, as equipes estão fazendo a contenção da encosta com telas de
barreira, chumbadores e hastes. Cerca de 60% da obra já foi concluída. “A
expectativa é que os trabalhos de recuperação continuem até o fim de março. O
tráfego de veículos ocorre em pista simples nos dois sentidos, Curitiba e
Paranaguá”, diz em nota o Dnit.
O governo do Estado, através do DER/PR, realizou obras no Km
39 da BR-277, que já foram concluídas, e atua no Km 41 da rodovia, com os
serviços entrando na fase final. O Dnit explica que foi assinado um Acordo de
Cooperação Técnica para recuperação dos trechos afetados pelas chuvas em 2022.
No Km 28 da BR-277, na ponte sobre o Rio Pitinga, uma trinca
foi identificada na terça-feira (14), mas os técnicos do departamento avaliaram
que há “apenas desgastes do pavimento e uma trinca transversal no encabeçamento
da ponte situada na pista crescente” e que o problema é comum em viadutos “que
não possuem a chamada laje de transição”. Não será necessário, neste momento,
interditar parcial ou completamente o trecho.
O Dnit ainda cita que a ponte do Ubá, na BR-153, entre
Jacarezinho e Santo Antônio da Platina, está em situação de alerta e que
caminhões devem passar com velocidade reduzida.
BR 376
Na quarta-feira, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e o Dnit
desviaram o trânsito do Km 136 da BR-376, em Nova Esperança, devido a uma obra
emergencial em um viaduto. O departamento afirmou, em nota, que os trabalhos
para “recomposição da descida d’água” foram concluídos nesta quinta-feira e a
via liberada.
Entre domingo (12) e segunda-feira (13), a BR-376, no trecho
entre o Paraná e Santa Catarina, foi bloqueada preventivamente pela PRF. As
fortes chuvas no local motivaram a interdição visando a segurança dos usuários
da via.
Fonte: Folha de Londrina / Foto: Gustavo
Carneiro