Publicado em: 29/04/2022
O Departamento
de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do
Abastecimento, fechou abril com estimativa de pequeno aumento na produção de
milho da segunda safra 2021/22, reforçando a previsão de que os produtores
colherão uma safra recorde do cereal no Estado. Em relação ao mês anterior, a
projeção subiu de pouco mais de 15,9 milhões de toneladas para 16 milhões de
toneladas (0,53%). Isso se deve, sobretudo, à reavaliação de área plantada em
30 dias – de cerca de 2,6 milhões de hectares para 2,7 milhões hectares
(0,30%).
A Previsão
Subjetiva de Safra (PSS),
apresentada nesta quinta-feira (28) pelos técnicos do Deral, aponta também que
a produção de soja deve ficar em torno de 11,8 milhões de toneladas. Ainda que
a observação a campo demonstre um pequeno aumento em relação ao projetado em
março (11,5 milhões de toneladas), o resultado confirma perda superior a 9
milhões de toneladas diante da previsão inicial, devido às condições climáticas
adversas em períodos fundamentais no desenvolvimento dos grãos.
No geral, a
estimativa da safra paranaense 2021/22 é de pouco mais de 36,6 milhões de
toneladas, com variação positiva de cerca de 10% em relação aos 33,3 milhões de
toneladas do ciclo anterior, que foi bastante afetado pela estiagem e geadas.
“O relatório não apresenta grandes surpresas”, disse o secretário de Estado da
Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara.
Há confirmação
das perdas já anunciadas em relação à safra primavera/verão, que deve ter pouco
mais de 15,1 milhões de toneladas de grãos, enquanto a de cereais de
verão/outono está estimada em volume pouco superior a 16 milhões. “Vai recompor
a oferta tanto no Paraná quanto no Brasil, ajudando a dar uma apaziguada nos
custos de produção das proteínas animais”, afirmou Ortigara.
GRANIZO –
O secretário também falou sobre as ocorrências climáticas da última semana na
região Oeste do Paraná. Segundo ele, os relatos ainda são iniciais e os números
devem ser depurados nos próximos dias. “Estima-se que foram perdidos, por
granizo, mais de 22 mil hectares de milho, dos quais 9 mil só em Maripá, uma
perda por baixo de 130 mil toneladas ou mais de milho que não serão colhidos”,
disse.
O volume
representa cerca de 5% da safra da regional de Toledo, boa produtora de milho.
Em relação ao Estado, significa algo em torno de 0,85% da produção. “Perda
sempre é perda e lastimamos porque era uma safra para tentar refazer a vida
depois do prejuízo grandioso com a perda de soja na safra primavera/verão, mas
no contexto geral teremos uma produção agrícola sem grandes traumas”, ponderou
Ortigara.
Para o chefe do
Departamento de Economia Rural, Marcelo Garrido, a estimativa mostra uma
tendência que já era verificada desde o início do ano: a consolidação das
perdas nas safras afetadas sobretudo pela estiagem e uma aposta dos produtores
nas culturas de milho e soja. “É importante observar que, apesar dos problemas
enfrentados recentemente, sobretudo climáticos, o produtor não desistiu de
semear a terra, ainda que mude um pouco o foco de sua atividade principal”,
afirmou. “A previsão é de uma grande safra”.
MILHO E SOJA –
De acordo com o analista de milho do Deral, Edmar Gervásio, se confirmadas as
previsões apontadas pelo relatório mensal, o Paraná terá recorde de produção e
também de área para a segunda safra da cultura do milho. O levantamento mostra
que as condições boas são percebidas em 96% da área e somente 4% são
consideradas medianas. As 16 milhões de toneladas previstas devem chegar ao
mercado a partir de maio. “Deve trazer um abastecimento geral para o Estado”,
afirmou o técnico.
No caso da
primeira safra, a colheita já atingiu 96% da área, com produção estimada em 2,9
milhões de toneladas. A estimativa de boa produção na segunda safra (no Brasil
a previsão é de 88 milhões de toneladas) e a valorização do Real frente ao
Dólar já provocaram uma queda de 14% no preço do milho recebido pelo produtor
em relação a março. Na semana passada, a cotação da saca de 60 quilos estava em
torno de R$ 71,00.
Gervásio também
comentou sobre a confirmação da perda de 9 milhões de toneladas de soja,
cultura bastante prejudicada pelas condições climáticas no ano passado e início
deste. O rendimento por hectare foi bastante prejudicado, caindo de 3.549
quilos para 2.094. A colheita está quase toda encerrada, restando
aproximadamente 2% da área estimada de 5,6 milhões de hectares para ser
colhida.
A estimativa é
que, a preços de hoje, o prejuízo em relação à movimentação de recursos tenha
superado R$ 25 bilhões. A saca de 60 quilos paga ao produtor está cotada
próximo a R$ 170,00. É uma queda de 10% se comparada com a cotação média de
março, mas representa aumento de 7% em relação ao que era pago em abril de
2021.
FEIJÃO –
Em relação à primeira safra de feijão, a quebra de 30% foi sacramentada, o que
se deve às condições de plantio no ano passado, bastante afetado pela seca.
Durante o desenvolvimento, o clima também não contribuiu, em razão dos ventos
gelados e chuviscos, seguida de seca a partir de dezembro. Da previsão de 276
mil toneladas caiu para 195 mil. Já foram comercializados 92%.
Para a segunda
safra, que teve o início da colheita na última semana, as previsões continuam
otimistas. Houve aumento de área plantada, chegando a 301 mil hectares. O
levantamento feito pelos técnicos do Deral indica produção de 605 mil
toneladas. Até agora as condições climáticas favorecem a cultura. “Se isso se
confirmar, será a maior safra de feijão no Paraná e podemos, sozinhos,
abastecer o Brasil todo em torno de dois meses e meio a três meses”, disse o
economista Methodio Groxko.
TRIGO –
A PSS de abril mantém a expectativa de que sejam plantados 1,17 milhão de
hectares de trigo no Estado, com possibilidade de se colher 3,9 milhões de
toneladas, 20% a mais que em 2021. O plantio já iniciou e até agora 3% estão
semeados. “Até o momento, as condições de campo foram ideais para a cultura e a
umidade disponível no solo deve garantir a continuidade dos trabalhos no início
de maio”, salientou o agrônomo Carlos Hugo Godinho.
Segundo
Godinho, os produtores vivem este ano uma situação diferente da experimentada
neste mesmo período em 2021. Naquele ano, as chuvas adequadas para germinação
do trigo ocorreram apenas na metade de maio. Com isso, a expectativa agora é
que no encerramento do próximo mês o Estado esteja com meio milhão de hectares
semeados. “Isto pode possibilitar um melhor escalonamento da safra atual,
diminuindo a concentração do plantio e, consequentemente, minimizando o risco
do produtor”, disse
Fonte: Governo
do Estado do Paraná / Foto: Gilson Abreu/AEN