Publicado em: 11/07/2022
Maio foi um mês positivo para a
produção industrial do Paraná. Dados divulgados nesta semana pelo IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que o crescimento em
relação a abril foi de 3,5%, resultado superior ao dos outros cinco estados
mais industrializados do país (SP, RJ, MG, RS e SC) e também acima da média
nacional, que registrou ligeira alta de 0,3%.
A recuperação
em maio contribuiu para diminuir a trajetória de queda que vem ocorrendo no
acumulado deste ano, atualmente em -2,6%. Até o mês passado, este mesmo
indicador era de uma retração de 3,7%. E na variação mensal (contra março), a
produção da indústria havia encolhido 4,1%. Na comparação com maio de 2021, o
setor registra crescimento de 1,5% no estado, assim como nos últimos 12 meses,
com alta de 0,6%.
Para o
economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Evânio Felippe, o
resultado de maio contribuiu para que a trajetória de queda no ano fosse
reduzida.
“Foi o maior
crescimento do ano na indústria do Paraná até agora. Uma das explicações é a
injeção de recursos do saque extraordinário do FGTS, liberado pelo Governo
Federal, que estimulou o consumo das famílias, impactando os setores de
comércio e serviços e, consequentemente, demandando mais produtos da
indústria”, explica. “Outro fator foi a antecipação do pagamento do 13º salário
de pensionistas e aposentados, em maio e junho. Juntas, essas políticas
injetaram R$ 87 bilhões na economia brasileira, estimulando o consumo e
tracionando setores que estavam performando com certa dificuldade”,
complementa.
Até abril,
tanto comércio quanto serviços apresentavam resultados negativos em seu
desempenho. “Uma das causas é que mesmo com uma certa melhora na
empregabilidade, a renda média do trabalhador caiu 10% no Brasil este ano. Isso
influencia na atividade de consumo e as pessoas passam a priorizar a compra do
essencial, adiando a aquisição de bens e produtos não essenciais”, avalia o
economista da Fiep.
ATIVIDADES INDUSTRIAIS
Um exemplo é o
setor de alimentos, que representa de 30 a 32% do PIB industrial do Paraná. Na
comparação com maio de 2021, este segmento cresceu 2,3%. Dos 13 segmentos
analisados no Paraná pelo IBGE, cinco apresentam queda nesta avaliação com o
mesmo mês do ano passado. O mais afetado é o setor automotivo, que fabrica
produtos de maior valor agregado e, portanto, mais caros. A redução chegou a
22%. Em seguida aparecem madeira (-13%), minerais não-metálicos (-3,2%), móveis
(-2,8%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-2%).
De janeiro a
maio, apenas quatro atividades estão crescendo. É o caso de bebidas (28%),
celulose e papel (2,9%), máquinas e equipamentos (2,6%) e produtos químicos
(1%). Os mais prejudicados são móveis (-18,6%), máquinas, aparelhos e materiais
elétricos (-18,1%), madeira (-9,4%) e automotivo (-7%).
“Há tempos a
indústria vem sofrendo com pressão sobre os custos de produção. Além de insumos
importados que estão mais caros no mercado internacional, questões como energia
e combustíveis têm pesado na conta dos empresários, que não estão conseguindo
segurar os custos e acabam repassando este aumento ao consumidor final. Isso
gera uma redução nas vendas e na produção porque o consumidor prioriza o
essencial e aguarda um período mais favorável para adquirir os produtos em que
pode adiar a compra”, sugere Felippe.
A guerra na
Ucrânia, os lockdowns para conter a covid-19 na China, que interromperam o
fornecimento de insumos para o mundo todo, as dificuldades econômicas na Europa
e Estados Unidos, são outros elementos que afetam os custos de insumos e
matérias-primas no mundo inteiro, incluindo o Brasil e o Paraná. Somado a um
período de eleições polarizadas no Brasil, este cenário pode afetar a política
cambial do país, com elevação do dólar frente ao real. O economista da Fiep
avalia que a moeda americana mais valorizada tende a pressionar ainda mais os
custos de produção na indústria. Somada à previsão de manutenção das taxas de
juros da economia elevadas, a atividade de consumo é penalizada, impactando no
desempenho geral da economia brasileira.
“É preciso
aguardar como o setor vai se comportar frente a tantos desafios, mesmo com o
segundo semestre sendo um período tradicionalmente de maior demanda para a
indústria”, conclui.
Fonte: Paraná
Portal / Foto: Divulgação/Gelson Bampi/Fiep