Publicado em: 21/02/2022
Inspirado em experiências já
implantadas na Alemanha e no Japão, o programa Vocações Regionais Sustentáveis
foi lançado como uma alternativa para a retomada econômica do estado do Paraná
pós-pandemia. O objetivo é incentivar as cadeias de valor e abrir mercados para
produtos típicos paranaenses, produzidos de forma sustentável e tradicional.
O projeto tem como base a
iniciativa “One Village, One Product”, desenvolvida pela JICA (Japan
International Cooperation Agency), Agência Japonesa de Cooperação
Internacional e a metodologia “Value Links-B”, desenvolvida pela
GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit), Agência
Alemã de Cooperação Internacional.
A primeira fase de pesquisa
consistiu em enumerar os locais e produtos regionais com potencial de mercado,
também analisando o potencial de inovação. O setor de alimentação e turismo
demonstraram ter grande valor para a retomada econômica do estado. Integrados
com a produção local e sustentável, o projeto pretende também fortalecer as
relações sociais, culturais e ambientais.
O diálogo com as comunidades e o
setor produtivo, público-alvo do projeto, foi realizado para entender as
demandas e criar estratégias para valorização dos produtos paranaenses.
As experiências
O projeto já foi iniciado em
algumas cidades. Em agosto de 2021, Campo Mourão, cidade localizada no
centro-oeste do Paraná, foi identificada como uma região de potencial para
negócios voltados à tecnologia. A ideia é produzir produtos hospitalares e eletromédicos,
como aparelhos de raio-x e hemodiálise – produtos resultantes de inovações
locais. A Invest Paraná, agência do governo estadual responsável por prospectar
oportunidades de investimento para o estado, fornece apoio para desenvolvimento
dos produtos e inserção dos mesmo no mercado nacional e internacional.
Ainda em agosto de 2021, em São
José do Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, foi desenvolvido um
trabalho com os agricultores do entorno da Bacia do Miringuava. A construção de
uma nova barragem auxiliará os produtores na transição da produção local para
negócios sustentáveis, valorizando a cultura e os produtos locais.
Em outubro de 2021 foi a vez de
Antonina, Morretes e Guaraqueçaba integrarem o projeto. Os conceitos “turismo
de natureza”, “base comunitária” e “produtos regionais” foram o foco o
trabalho. A 1.ª Oficina de Integração do projeto Vocações Regionais
Sustentáveis (VRS) Mata Atlântica, contou com a participação de mais de 50
produtores locais. Para a realização do evento, foram realizados encontros com
as comunidades, os protagonistas da ação, que contribuíram na organização da
1.ª Feira Integrada de Produtos da Mata Atlântica.
O apoio e parceria de
instituições nacionais e internacionais é fundamental para o sucesso do
projeto. A oficina teve apoio e patrocínio do Fonplata, banco multilateral de
desenvolvimento dos países da Bacia do Prata, formado pela Argentina, Bolívia,
Brasil, Paraguai e Uruguai.
Com base nas experiências
internacionais, foram definidos seis produtos e segmentos com potencial de
investimento e de beneficiação. São eles: banana, pupunha, mandioca, juçara,
cachaça e artesanato. Os dois últimos são trabalhados dentro das operações de
turismo. Essa é uma pré análise realizada pela agência de desenvolvimento do
estado. Os produtos podem ser alterados de acordo com as discussões com a
comunidade e os produtores locais.
Durante a oficina, os
professores, técnicos e consultores atuaram na propagação de informações e
elucidação de dúvidas sobre questões como regularizações, acesso a recursos,
financiamentos, seguros, planos diretores, exportação de produtos, entre
outros.
Em dezembro de 2021, os
produtores paranaense de erva-mate participaram do 10.º Fórum Institucional da
Cadeia Produtiva da Erva-Mate, no câmpus da Universidade Estadual do
Centro-Oeste (Unicentro) em Irati, no Centro-Sul do Estado, para entender de
que forma o projeto poderia beneficiá-los. O objetivo é estimular a
sustentabilidade ambiental, social e econômica por meio de uma certificação de
qualidade do produto. Para tal, o estado oferece apoio em pesquisa, prospecção
de novos mercados, desenvolvimento tecnológico, além de promover acesso aos
produtores a oficinas de capacitação para saber como exportar seus produtos.
Estações de apoio
aos turistas
Michi no Eki é um modelo de
estruturas à beira de estradas, no Japão, que está espalhado pelo país todo,
com o objetivo de valorizar os produtos locais e para receber e oferecer apoio
a viajantes e turistas. A estação deve ter um projeto arquitetônico único,
localizado em um ponto turístico e que reflita a cultura da região. O modelo
foi importado por meio da relações do estado do Paraná com a província de
Hyogo, no Japão.
O Paraná tem planos de instalar uma estação Michi no Eki em cada região turística do estado, que são 15. No momento, a Invest Paraná está trabalhando no projeto piloto de três estações: em Morretes, São José do Pinhais e Guarapuava. A Universidade Estadual de Londrina tem participado do projeto por meio de pesquisas para entender o cenário e implantar projetos arquitetônicos que sejam coerentes com a proposta sustentável. As estações serão modulares, ou seja, é possível adaptá-las para a região que será instalada.
As estações serão custeadas pelo governo. Somente o projeto arquitetônico fica na faixa de 300 mil reais. O valor de construção ainda não é mensurável, mas utilizando como base o manual japonês, o valor é aproximado para construção de uma estação é de 1 milhão de dólares.
Fonte: Plural
Curitiba