Publicado em: 23/06/2022
Os acidentes
com produtos perigosos são um grande risco para os motoristas e para o meio
ambiente. Segundo dados da pesquisa da Associação Brasileira de Transporte e
Logística (ABTLP), que monitora as ocorrências no transporte rodoviário de
produtos perigosos no estado de São Paulo, em 2021 houve em média 1.095
ocorrências nas estradas brasileiras, quase 91,25 ocorrências por mês. O dado
representa um aumento em relação a 2020, que teve média de 78,25 por mês.
Desses números,
os líquidos inflamáveis, produtos perigosos da classe de risco 3, tiveram 640
casos, dos quais 40% aconteceram por avaria mecânica. Acidentes envolvendo
produtos perigosos apresentam riscos à saúde de humanos e de animais e geram
consequências para o meio ambiente.
Segundo o
diretor operacional da Zorzin Logística, Marcel Zorzin, as rodovias não têm
estrutura para o transporte de produtos químicos, o que gera um problema na
jornada do motorista. “Temos a Lei 13.103, que institui ao condutor o descanso
a cada 30 minutos trabalhadas. No entanto, não existem lugares apropriados para
essas paradas de caminhões com produtos perigosos”.
Ele comenta
sobre a precariedade nas paradas utilizando como exemplo os postos de gasolina
próximos às estradas, que não possuem procedimentos de contenção em caso de
vazamentos durante a madrugada. Isso força os motoristas a pararem dentro das
cidades por falta de infraestrutura.
Apesar de
existir uma legislação rígida para as empresas de transporte de químicos, por
ela não ser integrada a um sistema não há como identificar se a transportadora
segue todas as leis. “O transporte de produtos químicos possui mais de 400 leis
e diretrizes diferentes, desde a abertura da empresa até a retirada da
licença”, comenta Marcel.
Contudo, “por
não ser um processo rastreável, nem possuir uma fiscalização adequada, fica
complicado saber se o motorista possui todas as licenças para realizar o
transporte. Quem exige isso são os embarcadores, mas nas estradas já é
suficiente só ter as placas necessárias e algumas documentações que o guarda de
trânsito cobra”, explica o empresário.
Entretanto,
existem medidas para ajudar na contenção de acidentes caso eles aconteçam nas
estradas. Entre os usados de forma geral, existem os seguros exigidos por lei,
que ajudam as empresas a lidar com as consequências dessas situações.
Os requisitos
incluem o seguro por responsabilidade civil, voltada somente para os veículos e
ao pagamento dos anos pelo acidente com o caminhão da empresa e o carro de um
terceiro.
Por outro lado,
existe um voltado especificamente para o produto transportado: a Licença de
Responsabilidade Civil Ambiental. “A Zorzin possui [essa licença], seguindo a o
art. 255 da Constituição Federal de 1988. Basicamente ela funciona como uma
apólice voltada para acidentes que envolvam contaminação do solo por derramamento.
Ao acionar as empresas especializadas na contenção dessas ocorrências, os
valores cobrados costumam ser bastante elevados”.
Marcel ainda
comenta que, além do cumprimento às ordens das ações por parte do governo, a
Zorzin Logística também possui outras medidas para diminuir o risco de
acidentes. “Temos um programa de política antiálcool muito bem elaborada, com
testes de bafômetro aplicados todos os dias na entrada dos motoristas por meio
de equipamentos que não exigem contato físico.”
Além disso, o
empresário comentou que a empresa também faz uso de telemetria nos veículos
para monitorar velocidade, freadas e acelerações bruscas. Também é monitorada a
força G lateral, que mede as curvas feitas de forma rápida, manobra que aumenta
as chances de o caminhão capotar dependendo do peso que está levando.
“Pegamos esses
dados diariamente pela manhã, depois os compilamos, os analisamos e, por fim,
os passamos para os responsáveis de RH. Em casos específicos, chamamos o
motorista. Então, quando algo foge desse mapa de métricas, agimos imediatamente
sempre buscando evitar o pior”, conclui Marcel.
Sobre Marcel
Zorzin:
Marcel Zorzin
ocupa o cargo de diretor operacional da Zorzin Logística. Formado em
administração de empresas pelo Colégio Modelo, atualmente divide as suas
atenções entre o cargo na Zorzin e em entidades de classe, sendo diretor do
Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do ABC (Setrans) e coordenador
do núcleo da COMJOVEM do ABC.
Fonte:
ONTUCK / Foto: divulgação