Publicado em: 23/12/2021
Entre muitas outras coisas, 2021
será lembrado como o ano em que a cadeia global de suprimentos entrou em
colapso. De uma hora para a outra, quase tudo que pode ser comprado se tornou
escasso ou difícil de obter: carros, chips de computador, alimentos,
brinquedos, equipamentos hospitalares, aparelhos de ginástica. Em um tempo em
que a principal marca do capitalismo é o consumo imediato, sem espera e sem
atrito, a falta de produtos parecia algo vindo de um mundo esquecido e enterrado,
da época das grandes guerras.
A causa principal dessa escassez é
a pandemia. Logo quando começou, a crise sanitária desencadeada pelo vírus fez
com que muitas fábricas sediadas em “gigantes industriais” como China, Taiwan,
Coreia do Sul e Alemanha fossem obrigadas a fechar para prevenir surtos locais.
Isso, por sua vez, diminuiu a demanda global por transporte — justamente num
momento em que o consumo disparou. Trancadas em casa e sem opções de lazer, as
pessoas passaram a comprar mais, tanto para preencher seu tempo como para
adaptar o ambiente doméstico à rotina de trabalho e estudo.
A indústria tentou se adequar a
essa escalada da demanda, mas ela foi tão radical que a falta de insumos se
tornou um problema incontornável. Faltaram também contêineres, o que fez com
que produtos se acumulassem, imóveis, em depósitos e portos mundo afora. Os
custos da exportação, em alguns lugares, mais que decuplicaram. Quando os
produtos finalmente chegavam ao seu destino, a sobrecarga de serviço e a
necessidade de os trabalhadores da logística observarem a quarentena atrasavam
mais ainda o processo. Não bastasse tudo isso, um navio ainda ficou encalhado
por seis dias no canal de Suez, em março.
Não se sabe quando a escassez vai
acabar, mas é possível tirar lições do que vimos até agora. Se, por um lado, a
pandemia tem sua parcela de culpa nessa confusão descomunal — que ameaça afetar
inclusive a disponibilidade de produtos no Natal —, por outro lado, a crise
também foi ampliada por um histórico de má gestão da cadeia de suprimentos da
parte das empresas, que haviam se habituado a economizar o máximo com a
manutenção de inventários. A prevenção de instabilidades parece algo distante
para a maioria dos executivos, e, portanto, nunca foi uma prioridade.
A boa notícia é que hoje há
soluções para minimizar essas intempéries com a utilização de plataformas que
transformam milhares de dados de sell-out, estoque e execução dos PDVs físicos
e digitais em indicadores e insights estratégicos. Por exemplo: com a análise
de dados em larga escala, é possível detectar e corrigir ineficiências em tempo
real, como nos casos de itens parados, estoques negativos e perda de vendas.
Já a coleta de informações e
indicadores de trade marketing nos pontos de venda auxilia as empresas a
atuarem com velocidade nos seus estoques, minimizando prejuízos e sendo mais
assertivos em suas estratégias no ponto de venda. E, no ambiente de e-commerce,
o monitoramento do desempenho dos produtos gera conhecimento para que as
empresas vendam mais e melhor.
Integrados de forma estratégica,
esses três fatores podem ser decisivos para aprimorar os negócios e manter a
eficiência em tempos de crise, além de auxiliar no controle de estoque e
alavancar as vendas dos varejos. É imprescindível, em 2021, que as empresas
tenham uma política estruturada em profundidade para gerir seus estoques de
produtos, e que usem as ferramentas tecnológicas mais avançadas para atingir
esse propósito.
Afinal, a crise logística global
enfatiza a importância da gestão inteligente dos produtos, e confirma a máxima
de que, muitas vezes, o barato sai caro. Não investir em soluções que
sincronizam a cadeia de abastecimento hoje pode prejudicar diretamente a sua
empresa amanhã. Quando não se pode contar sempre com o fluxo de navios e
contêineres ao redor do mundo, o caminho é optar pelo estoicismo logístico:
fazer o possível dentro do que está sob nosso controle.
*David Abuhab é Chief Strategy
Officer da Neogrid.
Fonte: Exame