Publicado em: 23/01/2023
O Governo do Paraná, por meio do Sistema Estadual de
Agricultura (Seagri), trabalha na elaboração de uma política pública de
aproveitamento de forma intensiva de dejetos agropecuários com vistas à
produção de biogás e biometano e foco no hidrogênio verde. Em novembro do ano
passado foi criado um grupo de trabalho e neste ano há uma continuidade nas
ações de apoio e incentivo aos produtores rurais, dentro do escopo do Programa
Paraná de Energia Rural Renovável (RenovaPR), que já apoia o financiamento de usinas
sustentáveis.
Política
pública -
O grupo estuda um plano que estabeleça uma política pública de aproveitamento
racional e eficiente das possibilidades de energia renovável. Entre as
estratégias está uma parceria com a Compagas, que abre uma boa oportunidade de introdução do
biometano em sua matriz energética, possibilitando a injeção de biometano nos
gasodutos. Isto, por si só, gerará grande demanda no setor, cuja maior fonte de
geração está exatamente no aproveitamento por biodigestão dos dejetos das
cadeias produtivas de proteína animal e nos resíduos das agroindústrias e
frigoríficos.
Estímulo -
A nova política que estimulará o biogás e o biometano pretende ampliar os
benefícios e estímulos tanto pela tributação incentivada como pela subvenção às
taxas de juros dos financiamentos rurais. Isso possibilitará que produtores,
agroindústrias e cooperativas agropecuárias tenham maiores atrativos para
instalar biodigestores em suas respectivas propriedades.
Energia
térmica - A política pública aplicada pelo RenovaPR estimulará
a geração de energia térmica em substituição à demanda por lenha. “A geração
própria de energia elétrica é extremamente vantajosa para os produtores rurais,
da mesma forma que é a geração de biometano para uso combustível tanto em
motores geradores como no transporte e logística do próprio agro”, afirmou o
coordenador do programa de energia renovável, Herlon Goelzer de Almeida.
Mercado
brasileiro -
O mercado brasileiro já oferta geradores, caminhões e tratores a biometano, o
que poderá dar uma enorme autonomia e economia a produtores, cooperativas e
agroindústrias paranaenses.
Competitividade -
“O grande objetivo é gerar maior competitividade ao agro do Paraná em suas
diferentes cadeias produtivas, seja pela redução de custos propiciada, seja
pela geração de novos produtos, seja pela venda de energia elétrica e
biometano, produtos que os criadores e agroindústrias paranaenses já podem
produzir e fornecer com regularidade ao mercado”, destacou o secretário de
Estado da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara.
Primeira
versão -
A política pública em discussão terá sua primeira versão apresentada até o
final de fevereiro. Depois, passará por análise e discussões com o setor
produtivo e suas instituições, sendo aperfeiçoada durante o mês de março. A
previsão do anúncio oficial é entre os dias 18 e 20 de abril, durante o Fórum Sul
Brasileiro de Biogás e Biometano, que ocorrerá em Foz do Iguaçu, no Oeste. O
primeiro debate público ocorrerá no Show Rural Coopavel, em Cascavel (Oeste),
no dia 9 de fevereiro, às 10 horas no Espaço Impulso.
Estratégias -
A política é uma das estratégias para preparar o Paraná para ser um dos
ambientes brasileiros mais propícios à produção de hidrogênio verde, nome que
se dá ao hidrogênio produzido com eletricidade oriunda de meios orgânicos e
processos limpos, e com o uso de energia renovável no seu processo. Para isso,
a biomassa paranaense, em especial das cadeias produtivas da proteína animal, é
uma fonte com volume expressivo e renovável.
Combustível
do fruto -
“O hidrogênio é considerado o combustível do futuro e motivo de investimentos
de pesquisa e desenvolvimento por muitos países, e o Paraná e o Brasil estão
nessa rota com reconhecimento mundial da sua viabilidade”, disse Ortigara.
Investimentos -
Recentemente, uma missão alemã, capitaneada por representantes do governo e
empresários, esteve em Toledo e Nova Santa Rosa, onde foi recebida pelo
vice-governador Darci Piana e pelo secretário Norberto Ortigara, para discutir
investimentos na geração de biogás, biometano e hidrogênio verde. Foram
assinados convênios de cooperação entre as empresas alemãs e as cooperativas
Ambicoop, de Toledo, e Coopersan, de Nova Santa Rosa.
Potencial -
“Essa foi uma demonstração de que o Paraná possui potencial para hidrogênio
verde, tanto que o governo e empresas alemãs já estão investindo 2,3 milhões de
euros em infraestrutura e no estudo de viabilidade técnica e econômica”,
acentuou Ortigara.
Desafio -
Para o coordenador do RenovaPR, o desafio da nova política é tornar mais
atrativa as condições no ambiente paranaense para estimular ainda mais a
geração de biogás, biometano e, no futuro próximo, o hidrogênio verde. “As
agroindústrias e cadeias produtivas de suínos, frango e leite são as mais
promissoras, pois possuem dejetos e resíduos, que, além de gerarem energia,
poderão gerar hidrogênio”, afirmou Almeida.
Processo -
A geração do hidrogênio, que é uma energia renovável, na rota que será
estimulada no Paraná, se dará pelo uso da quebra da molécula do metano (CH4),
isolando o carbono e tendo duas moléculas de hidrogênio (H2). O processo é
diferente, por exemplo, da rota estimulada na região Nordeste do País, que é
pela eletrólise da água (H20) do mar, com o uso de energia eólica, que gera uma
molécula de hidrogênio (H2) e libera oxigênio para a atmosfera ou para uso
industrial.
Convênio -
Para esse avanço na política pública paranaense, o Instituto de Desenvolvimento
Rural do Paraná – Iapar-Emater (IDR Paraná), por meio do RenovaPR, discute a
realização de um convênio com a Agência Alemã de Cooperação, o que deve se
efetivar ainda neste trimestre.
HUB -
O Governo do Estado também organiza, via Secretaria de Planejamento, uma
integração maior de todos os atores envolvidos em ações isoladas nesse processo
a nível local, como Copel, Sanepar, Invest Paraná, Parque Tecnológico de Itaipu
(PTI) e o setor privado. (Agência Estadual de Notícias)
Fonte: Paraná Cooperativo / Foto: Divulgação/Paraná
Cooperativo