Publicado em: 03/05/2023
Dois fatores
fizeram com que a safa de grãos do Parana, principalmente soja e trigo,
atingissem recorde de produção, chegando a 42,12 milhões de toneladas: o aumento da área de plantio e produtividade
devido ao clima favorável. A avaliação é da técnica do Departamento Técnico e
Econômico do Sistema Faep-Senar-Paraná, Ana Paula Kowalski, responsável pela
cadeia de grãos.
Antes, a
previsão era de 21 milhões de toneladas de soja, o que passou para 22,37
milhões/t. A produção de trigo deve alcançar 4.48 milhões/t na safra
abril/maio, informa Ana Paula. Segundo ela, a produção de milho, que era
estimada em 15,4 milhões/t deve atingir 14,42 milhões/t , compensando pelos
aumentos da safra de soja e trigo.
A produção
da safra 2022/2023 no Paraná pode atingir 47,12 milhões de toneladas em uma
área de 10,84 milhões de hectares, confirma o Departamento de Economia Rural
(Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Os
dados estão na Previsão Subjetiva de Safra, divulgada dia 27 de abril.
Os dados
atualizados do Deral confirmam que a produção de soja será recorde: espera-se
que sejam produzidas 22,37 milhões de toneladas em 5,76 milhões de hectares.
Esse volume é 83% superior às 12,19 milhões de toneladas colhidas no ciclo
2021/2022, em uma área 2% maior.
Somadas, a
primeira e a segunda safras de milho podem render 18,2 milhões de toneladas do
Paraná, o que atesta a participação do Estado de 15% no total da safra
brasileira do grão, de 124,9 milhões de toneladas, segundo a estimativa para a
safra 2022/2023. De acordo com os técnicos, as lavouras apresentam bom
desenvolvimento.
Quanto ao
feijão, a primeira safra deve resultar em 197,6 mil toneladas, 1% a mais do que
no ciclo anterior, ainda que a área tenha sofrido redução de 17%, caindo de
139,3 mil hectares na safra 2021/2022 para 115 mil hectares na safra atual. A
estimativa para a segunda safra indica a produção de 592 mil toneladas, 5%
superior à do ciclo passado (561,5 mil), em uma área de 296,9 mil hectares, 12%
menor (338 mil).
Segundo o
chefe do Deral, Marcelo Garrido, os números indicam uma boa safra para o
Paraná. “Os produtores contaram com condições climáticas mais favoráveis do que
na safra passada, o que possibilitou melhores resultados em termos de
produtividade”, diz.
No dia 29 de
abril os agricultores entregaram Ministerio da Agricultura e Pecuaria e `a
Confederacde Agricultura e Pecuaria do Brasil (CNA) um documento com 10 pontos
considerados prioritários para o Plano Safra 2023/2024. Entre as sugestões
estão a destinação de recursos para o Plano Agrícola e Pecuário (PAP). Detalham
também questões como aumento do limite de renda para produtores nos programas
de crédito rural, redução na taxa de juros nas operações de Crédito Rural e
ampliação de linhas de crédito para pequenos e médios produtores.
“A CNA é a
legítima representante de todos os produtores brasileiros. Ela fez um belo trabalho
mostrando, regionalmente, as particularidades e os anseios dos mais diferentes
tipos de produtores, que certamente serão acatados. Discutimos outras ações
também para que juntos tenhamos um plano safra mais moderno eficiente que
atenda ao produtor brasileiro “, afirmou o ministro Fávaro.
"Somos
parceiros. A CNA defende e busca o que é melhor para a agropecuária brasileira
e o ministro também, então seremos parceiros", concluiu o presidente da
CNA, João Martins.
As demandas
apresentadas pelos produtores mostram que o volume de recursos necessários para
o PAP 2023/2024 é de R$ 403,88 bilhões em operações de crédito rural, dos quais
R$ 290,7 bilhões destinados para custeio/comercialização e R$ 113,09 bilhões
para investimentos.
SUGESTÕES DA CNA PARA O MAPA
1. Garantir
que os recursos anunciados no Plano Agrícola e Pecuário estejam disponíveis ao
longo de toda a safra, sem interrupções e de forma previsível para que os
produtores;
2.
Disponibilizar R$ 25 bilhões ao orçamento para subvenção às Operações de Crédito
Rural do Plano Agrícola e Pecuário 2023/2024, sob a forma de equalização de
taxas de juros dos financiamentos;
3. Garantir
redução nas Taxas de Juros das operações de Crédito Rural, disponibilizando
valores condizentes com a atividade agropecuária;
4. Garantir
orçamento de R$ 2,0 bilhões para a subvenção ao prêmio de seguro rural em 2023
e R$ 3,0 bilhões para 2024;
5 . Aumentar
o limite de Renda Bruta Agropecuária para enquadramento dos produtores nos
programas de crédito rural (Pronaf, Pronamp e Demais);
6. Priorizar
recursos para as finalidades de investimento, especialmente para pequenos e
médios produtores (Pronaf e Pronamp), e para os programas para construção de
armazéns (PCA), irrigação (Proirriga), investimentos necessários à incorporação
de inovações tecnológicas nas propriedades rurais (Inovagro) e o Programa ABC+;
7.
Possibilitar a utilização de parte da exigibilidade de recursos dos depósitos à
vista em subvenção aos Fundos de Investimento das Cadeias Agroindustriais
(Fiagros);
8. Aumentar limite de financiamento de custeio para todos os
enquadramentos. A elevação dos custos de produção fez com que os limites atuais
de crédito não atendessem os produtores, os forçando a contratar créditos de
fontes mais caras para suprir a demanda;
9. Regulamentar
a Lei Complementar 137/2010 que criou o Fundo de Catástrofe;
10. Fomentar
linhas de crédito públicas ou privadas para promover a agricultura
regenerativa.
Fonte:
Paraná Portal/ Foto: Gilson Abreu/ AEN