Publicado em: 11/01/2023
O governo pode esperar até o dia 1.º de maio, Dia do
Trabalhador, para anunciar o reajuste do salário mínimo para R$ 1.320. O
adiamento da medida está em discussão e é defendida pela área econômica.
Segundo apurou o Estadão, o assunto já foi levado ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ainda não bateu o martelo.
A postergação do anúncio daria tempo para o governo
monitorar a evolução do comportamento da folha do Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS), que teve a base de beneficiários elevada rapidamente na reta
final da campanha eleitoral pelo governo de Jair Bolsonaro.
Técnicos do governo disseram que reajustar agora seria muito
difícil, porque não há todo o orçamento necessário. Os números, porém, foram
revistos em função do crescimento da estimativa de gastos atrelados ao salário
mínimo, como benefícios previdenciários.
O custo adicional inicialmente estimado pelos técnicos do
governo é de R$ 7,7 bilhões, além do que foi previsto no Orçamento de 2023. A
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição, aprovada no final do ano
passado, já constava com um adicional de R$ 6,8 bilhões para garantir o aumento
real (acima da inflação) do salário mínimo.
Como esse gasto extra não está previsto no Orçamento, se o
governo anunciasse o reajuste em janeiro, teria que se comprometer com uma
ampliação da dotação orçamentária, segundo técnicos envolvidos na discussão. Na
prática, essa situação poderia levar o governo a fazer um contingenciamento de
despesas no primeiro relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas do
Orçamento, em 22 de março, data do seu envio ao Congresso.
O presidente Lula prometeu que aumentaria o valor do
benefício, mas ainda não editou uma medida provisória (MP) formalizando o novo
patamar do piso e nem sancionou o Orçamento de 2023.
Até lá, fica valendo o valor do salário mínimo de R$ 1.302,
segundo MP editada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em dezembro do ano
passado.
Sem filtros
Antes mesmo assumir no cargo, Haddad, vinha alertando para
afrouxamento dos filtros do INSS na concessão dos benefícios previdenciários.
“No INSS, foram retirados os filtros para acabar artificialmente com a fila.
Essa é a real. É isso que vamos ter que resolver ano que vem e vamos trabalhar
para resolver”, disse Haddad depois de ser anunciado como ministro da Fazenda,
em dezembro de 2022.
O Congresso chegou a aprovar o Orçamento deste ano com a
previsão de recursos para o pagamento do salário mínimo em R$ 1.320, segundo o
relator-geral, senador Marcelo Castro (MDB-PI).
Na segunda-feira, 9, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho,
daria uma entrevista sobre o tema, mas a coletiva foi cancelada por causa dos
ataques e depredações às sedes dos três Poderes em Brasília no domingo, 8, por
golpistas apoiadores de Bolsonaro.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Bem Paraná / Foto: Divulgação/Bem Paraná