Publicado em: 14/06/2022
O Senado aprovou nesta segunda-feira (13) o Projeto de Lei
Complementar (PLP) 18/2022, que limita a aplicação de
alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre
combustíveis, gás natural, energia
elétrica, comunicações e transporte coletivo.
Segundo a
proposta, esses produtos seriam classificados como essenciais e
indispensáveis, levando à fixação da alíquota do ICMS em um
patamar máximo
de 17%, inferior à praticada pelos estados atualmente. O texto
também prevê a compensação da União às perdas de receita
dos estados.![]()
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O objetivo do
projeto é provocar a redução no valor dos combustíveis na bomba,
aliviando o gasto do consumidor com gasolina, que supera os R$ 7 o litro no
país, e com o diesel, beneficiando também caminhoneiros e transportadores. O
PLP também busca reduzir o valor do gás de cozinha e da conta de luz.
Foram 65 votos a favor e 12
contrários. O projeto volta para a Câmara para nova análise
após as emendas inseridas no texto. Para o relator do projeto no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), o PLP é “um
passo importantíssimo para derrubar a inflação”, além de segurar os preços nas
contas de luz e nos postos de combustível. Ele também afirmou que o Congresso
“faz história” ao incluir esses setores entre os considerados essenciais.
“Participei da Constituinte de 1988, lá a gente dizia que a essencialidade dos produtos tinha que ser definida por lei complementar. E se passaram mais de 30 anos e o Congresso, em nenhum momento, definiu a essencialidade dos produtos. Portanto, esse é um passo importante, estamos fazendo história”, disse o senador.
Bezerra leu seu
relatório em plenário na semana passada e hoje se ateve às emendas
recebidas pelo projeto. Foram 77 no total e Bezerra acolheu quatro
integralmente e nove parcialmente.
EMENDAS
Uma das emendas
acatadas repõe perdas de arrecadação do Fundo de
Manutenção da Educação Básica (Fundeb) e de ações de serviços de saúde.
Ambos setores têm receitas vinculadas à arrecadação com o ICMS. O relator
incluiu um trecho que prevê a manutenção das vinculações à saúde e educação
básica, mas de forma proporcional à dedução dos contratos de dívida dos Estados
com a União.
Bezerra também
incluiu no texto um dispositivo para conferir segurança jurídica aos gestores
estaduais. Assim, eles poderão reduzir a arrecadação do ICMS sem ferir a Lei de Responsabilidade
Fiscal (LRF) e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
De acordo com o regramento, um ente federativo não pode abrir mão de uma
receita sem indicar uma nova fonte de arrecadação para compensar.
Após a
aprovação do texto-base, os senadores aprovaram um destaque - os demais foram
rejeitados. O destaque aprovado prevê que, se os estados e municípios perderem
recursos em função da lei, a União vai compensá-los para que os atuais níveis
do Fundeb sejam mantidos.
SENADORES
O PLP não foi
unânime no plenário. Alguns senadores se colocaram contrários ao projeto. Para
Zenaide Maia (Pros-RN), o projeto não ataca o principal causador do aumento dos
combustíveis, que é a atual política de preços da Petrobras, vinculada
ao preço internacional do barril de petróleo e o valor do dólar.
“Esse PL não
tem nada a ver. E, ainda, sem a garantia de que vai ter redução dos preços na
bomba de combustível, a gente sabe que depende do dólar, e a certeza de que a
Petrobras, assim que for aprovado isso aqui, vai recompor os preços, porque já
faz mais de 20 dias que não dava aumento”.
Carlos Portinho
(PL-RJ), novo líder do governo no Senado, defendeu o projeto e pediu a
participação dos estados no esforço de reduzir o preço do combustível para a
população. Segundo ele, o governo tem contribuído ao abrir mão de impostos
federais sobre o combustível para reduzir o impacto da inflação explicada,
segundo ele, pela guerra na Ucrânia, dentre outras variáveis internacionais.
“Temos que
cortar os impostos, assim como diversas nações no mundo, neste momento de
emergência internacional, estão fazendo. É o que temos para hoje”, disse.
“Agora é hora dos governos: é hora do Governo Federal, que põe na mesa, e é
hora desse sacrifício dos governos estaduais”.
RELATÓRIO
Na semana
passada, ao apresentar o relatório à imprensa, Bezerra afirmou que, se
aprovado, o PLP poderia derrubar em R$ 1,65 o preço da gasolina e em R$ 0,76 o
preço do diesel. No entanto, destacou que os preços poderiam
apenas “não subir muito mais”, a depender do cenário internacional,
que influencia no preço do barril de petróleo e na valorização do dólar frente
ao real.
“Não estamos
tabelando preço. Tem uma guerra na Ucrânia, a Rússia é responsável por 25% da
produção de diesel no mundo, os preços estão tensionados. É evidente que pode
haver elevação de preços. Mas, mesmo que haja, isso vai ajudar a não subir
muito mais do que subiria”, disse, na ocasião.
Já existe um projeto, aprovado no
Senado em março, que pretende reduzir o valor dos combustíveis. O Projeto de
Lei 1.472/2021 propõe a mudança a forma de cálculo do preço dos combustíveis,
além de criar uma Conta de Estabilização, para garantir a previsibilidade nos
preços ao consumidor. O projeto, considerado uma das prioridades do Senado no
início deste ano, atualmente está parado na Câmara dos Deputados, sem previsão
de votação.
Fonte: Agência Paraná / Fotos:
Rovena Rosa/Agência Brasil / Jefferson Rudy/Agência Senado