Publicado em: 17/03/2023
A escassez de mão de obra está entre os grandes desafios
enfrentados pelas empresas de logística em todo o mundo, tanto no setor de
transporte quanto no de armazenamento. Um dos motivos é a dificuldade de atrair
profissionais, principalmente especializados em novas tecnologias, para
auxiliar as empresas nos processos de inovação, reforçando o papel estratégico
da área de Recursos Humanos no setor.
Essa é uma das conclusões do relatório “Logistics Global HR Trends“, realizado pela Gi Group
Holding, a partir de dados públicos da indústria e estimativas de líderes na
China, Brasil, Alemanha, Itália, Polônia e Grã-Bretanha.
Os resultados mostram que apenas 26% dos entrevistados
acreditam que a logística está entre os melhores setores para se trabalhar,
ligeiramente acima de setores como manufatura (23%) e construção (20%). Em
contraste, a maioria dos empregados do setor (87%) diz estar satisfeita com seu
trabalho, em comparação a 85% dos empregados em outros setores. Analisando os
dados apenas do Brasil, o percentual de profissionais satisfeitos é ainda
maior: 94%.
“Apesar do reconhecimento de sua importância na economia,
evidenciada durante a pandemia de Covid-19, as necessidades, especificidades e
desafios da logística ainda são pouco conhecidos pela população, com grande
parte da dela compreendendo que o trabalho na área é fisicamente exigente e
destina-se apenas à mão de obra não qualificada quando, na realidade, é
necessário ter especialização, conhecimentos técnicos e utilizar tecnologia
também”, explica Carlos Henrique Martins Tonnus, diretor da Gi Group Holding do
Brasil, com base no relatório.
O mercado mundial de logística experimentou crescimento
exponencial nos últimos anos, movimentando US$ 8,6 trilhões em 2021. E
estima-se que o setor continue em expansão, atingindo US$ 9,9 trilhões em 2024,
impulsionado ainda pelo avanço do comércio eletrônico.
Entre 2019 e 2020, as vendas globais do e-commerce cresceram
26,7%, para US$ 4,2 trilhões. Essa tendência de crescimento seguiu em 2021,
quando o mercado global de vendas on-line atingiu quase US$ 5 trilhões em
vendas. Entre os países analisados, a Itália foi o que mais cresceu em vendas
de comércio eletrônico entre 2019 e 2021 (88,6%), seguido pelo Brasil (65,5%),
Alemanha (61,3%), Polônia (39,8%), Reino Unido (32,3%) e China (24,6%).
Novas
tecnologias
O estudo indica ainda que o setor passa por novas
transformações aceleradas pelo processo de digitalização, que se revelou
crucial durante a pandemia, para responder ao estresse das cadeias de
abastecimento globais e garantir maior eficiência e flexibilidade operacional.
A expectativa é que, em breve, inovações como Big Data
Analytics, Blockchain, IoT, 5G, Inteligência Artificial e Manufatura Aditiva
mudarão a cadeia de suprimentos e influenciarão o equilíbrio de poder entre os
players do mercado, reformulando os modelos de negócios atuais.
Essa renovação tecnológica gera novas oportunidades
profissionais, exigindo competências e funções que não são tradicionais para a
indústria. Do ponto de vista de RH, isso significa que as empresas devem ser
capazes de atrair competências na área de Digital & Automação para alcançar
essa transformação.
Retenção
de talentos
Nesse contexto, o relatório avalia que, para reter trabalhadores,
as empresas devem criar condições de trabalho mais acolhedoras possíveis,
promovendo ambientes de trabalho baseados em relações positivas e em sistemas
de Recompensa Total (salário, políticas de bem-estar e ética empresarial).
Outra ação importante é buscar soluções para promover a sua oferta de emprego,
recorrendo a ações de comunicação e marketing expressamente dirigidas a
potenciais candidatos.
“É preciso aceitar as mudanças nas condições do mercado de
trabalho, dotar-se de políticas para melhorar o Employer Branding (marca
empregadora) e engajar mais os profissionais, além de oferecer desafios
profissionais estimulantes. Estes devem ser compromissos que os líderes e
gestores de Logística, sobretudo de RH e Operações, devem assumir, atualizando
métodos e abordagens”, completa Carlos Martins, da Gi Group Holding do Brasil.
Além disso, o setor de logística precisa ainda usar o
treinamento tanto para melhorar as habilidades dos funcionários existentes
quanto como forma de atrair novos trabalhadores, segundo o estudo. Do ponto de
vista dos trabalhadores, a pesquisa revela que 69% dos empregados do setor
logístico consideram muito importante a formação e a aprendizagem contínua para
se manterem atualizados.
Fonte: O Canal / Foto: Divulgação/O Canal