Publicado em: 13/09/2022
O volume de
serviços prestados no país cresceu 1,1% na passagem de junho para julho,
terceiro resultado positivo seguido, período em que acumula ganho de 2,4%. Com
esse resultado, o setor se encontra 8,9% acima do patamar pré-pandemia e 1,8%
abaixo do seu nível mais alto, atingido em novembro de 2014. Os dados são da
Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) e foram divulgados hoje (13) pelo IBGE.
“Com esse
crescimento de julho, o setor de serviços chega ao ponto mais alto desde
novembro de 2014, ou seja, do maior patamar da série. Essa retomada de
crescimento é bastante significativa e é ligada aos serviços voltados às
empresas, como os de tecnologia da informação e o de transporte de cargas, que
têm um crescimento expressivo e alcançam, em julho, os pontos mais altos das
suas respectivas séries. Então o que traz o setor de serviços a esse patamar é
o dinamismo desses dois segmentos”, destaca o gerente da pesquisa, Rodrigo
Lobo.
O resultado
positivo foi disseminado por três das cinco atividades investigadas pela pesquisa,
com destaque para os transportes (2,3%) e informação e comunicação (1,1%), que
exerceram as principais influências positivas sobre o índice em julho. O setor
de transportes acumulou ganho de 3,9% nos três últimos meses e, em julho, foi
influenciado principalmente pelos bons resultados de atividades como gestão de
portos e terminais e concessionárias de rodovias. O transporte de cargas, que
acumula alta de 19,7% desde outubro do ano passado, avançou 1,2% em julho.
“O setor de transportes já está na terceira taxa positiva
seguida e atinge em julho o ponto mais alto da série. Dentro desse setor, um
dos destaques foi a gestão de portos e terminais, muito relacionado ao
escoamento de safra agrícola. O transporte como um todo foi beneficiado pelo
escoamento de produção, carregamento de mercadorias e e retomada do transporte
de passageiros”, explica Luiz Almeida, analista da PMS.
O pesquisador também ressalta os resultados do transporte de
cargas e do transporte de passageiros, que estão 31,7% e 0,4% acima do patamar
pré-pandemia, respectivamente. “O transporte de cargas tem atingido recorde de
patamar e o de passageiros vem mostrando uma melhora com a retomada dessas
atividades principalmente relacionadas ao turismo, com as pessoas viajando mais
e voltando a utilizar esses serviços”, complementa.
Já o setor de informação e comunicação, com o avanço de
julho, conseguiu recuperar a variação negativa do mês anterior (-0,2%). “Esse
avanço está ligado ao setor de tecnologia da informação, principalmente aos
serviços de tecnologia da informação, que têm crescido muito e foram
impulsionados inclusive durante a pandemia, quando as empresas tiveram que
contratar serviços para suporte para o home office e a oferta
de serviços on-line. Dentro desse setor, em julho, a consultoria em
tecnologia da informação e portais, provedores de conteúdo e outros serviços de
informação pela internet se destacaram”, comenta Luiz.
Os serviços prestados às famílias (0,6%) cresceram pelo
quinto mês seguido, acumulando alta de 9,7% no período. Mesmo com os aumentos
sucessivos, esse setor ainda se encontra 5,7% abaixo do nível de fevereiro de
2020, mês que antecedeu os impactos da crise sanitária. “Em julho, os destaques
desse setor foram hotéis e restaurantes. Nós temos acompanhado uma retomada na
busca por esses serviços ligados ao turismo, como podemos observar pelo aumento
também no transporte aéreo. Além disso, também foi um mês de férias. Esse
segmento vem diminuindo a distância em relação ao patamar pré-pandemia, mas
segue abaixo dele”, destaca.
Por outro lado, o segmento de outros serviços recuou 4,2%,
após ter avançado nos dois meses anteriores. Rodrigo Lobo explica que esse
resultado pode estar relacionado a mudanças no consumo das famílias.
“Naquela fase mais aguda da pandemia, a partir do segundo
semestre de 2020 até meados do ano passado, os serviços financeiros auxiliares
cresceram de maneira significativa. Nesse momento, havia um aumento da poupança
das famílias de renda média e renda média alta, tendo em vista que elas
diminuíam o consumo em decorrência das restrições existentes durante a
pandemia. Com a flexibilização das restrições, essas famílias passaram a
utilizar uma parcela maior de sua renda no consumo de bens e serviços e uma
muito menor na poupança. Nesse sentido, a destinação desse recurso para o
mercado financeiro já sofre redução na comparação com aqueles períodos de 2020
e 2021, quando houve um crescimento importante”, observa.
Os serviços profissionais, administrativos e complementares
(-1,1%) também recuaram após crescimento em maio e junho. Essa queda está
relacionada a uma redução da receita nas empresas que prestam serviços a outras
empresas. “Os serviços de consultoria em gestão empresarial e atividades de
contabilidade, consultoria e auditoria contábil e tributária explicam a queda
observada no mês de julho. Esse recuo se dá após uma alta acumulada de 1,9% nos
meses de maio e junho de 2022, o que ainda mantém um saldo positivo de 0,8%
quando levamos em consideração os últimos três meses”, comenta Lobo.
Na passagem de junho para julho, o volume de serviços de 17
das 27 unidades da Federação cresceram. Entre elas, os maiores impactos vieram
de São Paulo (1,3%), Minas Gerais (1,9%), Santa Catarina (3,1%), Goiás (4,7%) e
Pernambuco (4,0%). Já as principais influências negativas foram exercidas por
Distrito Federal (-2,8%), Paraná (-1,2%) e Ceará (-2,5%).
Serviços avançam 6,3% na comparação interanual
Frente a julho do ano passado, o volume do setor de serviços
cresceu 6,3%. É a 17ª taxa positiva seguida nesse indicador. O resultado de
julho foi influenciado especialmente pela alta de 12,8% do segmento de
transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio.
Luiz Almeida destaca que o aumento das receitas das empresas
de transporte rodoviário de cargas, rodoviário coletivo de passageiros, aéreo
de passageiros, gestão de portos e terminais e navegação de apoio marítimo e
portuário impulsionaram o avanço do setor.
Outros três setores avançaram nessa comparação: serviços
prestados às famílias (22,6%), profissionais, administrativos e complementares
(4,2%) e informação e comunicação (2,0%). A única taxa negativa veio de outros
serviços (-11,3%).
Atividades turísticas crescem 1,5% em julho
O índice de atividades turísticas cresceu 1,5% em julho,
após recuo de 1,7% no mês anterior. Mesmo com o avanço, o segmento de turismo
ainda se encontra 1,1% abaixo do patamar de fevereiro de 2020.
“Tiveram um bom desempenho em julho os setores de hotéis,
restaurantes e transporte aéreo. Além de ser um mês de férias, a diminuição
observada no desemprego e o crescimento econômico tendem a impulsionar o setor
de turismo de lazer e negócios. Depois desse tempo sem consumir esse tipo de
serviço, as pessoas podem estar mais dispostas a viajar”, diz Luiz Almeida.
Em julho, dez dos 12 locais pesquisados seguiram o movimento
de crescimento, com destaque para São Paulo (4,6%), Santa Catarina (9,6%), Rio
de Janeiro (2,0%) e Paraná (4,6%). Já Minas Gerais (-0,6%) e Rio Grande do Sul
(-1,1%) foram os únicos estados que recuaram no mês.
Mais sobre a PMS
A PMS produz indicadores que permitem acompanhar o
comportamento conjuntural do setor de serviços no país, investigando a receita
bruta de serviços nas empresas formalmente constituídas, com 20 ou mais pessoas
ocupadas, que desempenham como principal atividade um serviço não financeiro,
excluídas as áreas de saúde e educação. Há resultados para o Brasil e todas as
unidades da Federação. Os resultados podem ser consultados no Sidra.
Fonte: Agência de Notícias IBGE / Foto: Pixabay