Publicado em: 11/08/2022
O setor de serviços cresceu 0,7% na passagem de maio para junho, segunda
alta seguida, acumulando ganho de 2,2% desde março deste ano. Com isso, o setor
se encontra 7,5% acima do nível de fevereiro de 2020 (pré-pandemia) e 3,2%
abaixo de novembro de 2014 (ponto mais alto da série). Os dados são da Pesquisa
Mensal de Serviços (PMS), divulgada hoje (11) pelo IBGE.
Das cinco atividades investigadas, quatro registraram crescimento. Luiz
Almeida, analista da pesquisa, destaca que o setor de transportes, com alta de
0,6%, foi o que mais influenciou o resultado em junho. “Neste mês, a maior
influência positiva veio do setor de transportes, com destaque para o
transporte dutoviário, transporte rodoviário de cargas e transporte coletivo de
passageiros. O setor de transportes encontra-se 16,9% acima do patamar
pré-pandemia, ultrapassando esse nível em maio de 2021 e se mantendo acima
desde então. Ou seja, já são 14 taxas acima do nível de fevereiro de
2020. O setor foi beneficiado inicialmente pelo aumento do transporte de
cargas, muito disso devido ao aumento observado nas vendas online durante a
pandemia, gerando impacto na cadeia logística, e, posteriormente, a recuperação
do transporte de passageiros ajudou a impulsionar o setor.”
Os serviços profissionais,
administrativos e complementares, com aumento de 0,7%, também se destacaram
positivamente, com o aumento das atividades relacionadas a organização,
promoção e gestão de feiras, congressos e convenções; atividades técnicas
relacionadas à arquitetura e engenharia; serviços de engenharia; e vigilância e
segurança privada. “O setor obteve a segunda taxa positiva seguida, acumulando
um ganho de 1,8% nos dois últimos meses. Este crescimento leva o setor à um
patamar 7,1% acima do patamar pré-pandemia, operando acima deste nível desde
dezembro de 2021”, destaca o analista.
Em seguida, o setor de outros
serviços teve alta de 0,8%, com destaque para as corretoras de títulos e
valores mobiliários e administração de fundos por contrato ou comissão. O setor
se encontra 2,0% acima de fevereiro de 2020. “Ele tem uma trajetória um pouco
diferente dos outros setores pois não sofreu tanto ao longo da pandemia,
principalmente, por conta dos serviços financeiros auxiliares, muito devido ao
influxo de novos investidores. Em agosto de 2020 já estava acima do nível
pré-pandemia e depois voltou a cair, apresentando um comportamento um pouco
errático e diferente dos outros grupos”, analisa Almeida.
Já os serviços prestados às
famílias tiveram alta de 0,6%, com destaque para os serviços de artes cênicas e
espetáculos, bem como para a gestão de instalações esportivas. “Apesar de ainda
ser o único setor abaixo do patamar pré-pandemia, vem mostrando trajetória de
crescimento e se aproximando cada vez mais da recuperação. O ponto mais baixo
foi em abril de 2020. Esta já é a quarta taxa positiva seguida, acumulando 9,3%
de alta após uma queda acumulada de de 1,1% nos dois primeiros meses do ano”,
explica Almeida.
O único setor em queda foi o de
informação e comunicação (-0,2%), puxado por portais, provedores de conteúdo e
outros serviços de informação na Internet. Segundo Almeida, “o setor de
tecnologia da informação, nesse mês, teve uma pequena queda, mas ao longo dos
últimos meses vem mostrando recordes de patamar, tendo atingido seu nível mais
alto em maio de 2022”.
Regionalmente, dez das 27
unidades da federação tiveram aumento no volume de serviços entre maio e junho,
com impactos mais importantes vindos do Rio de Janeiro (2,4%), seguido por
Paraná (2,5%), Rio Grande do Sul (2,1%) e São Paulo (0,2%). Em contrapartida,
Minas Gerais (-3,0%) exerceu a principal influência negativa (-3,0%), seguido
por Amazonas (-5,1%), Ceará (-3,8%) e Pernambuco (-2,4%).
“No Rio de Janeiro, o destaque
foi transporte dutoviário, navegação de apoio e serviços de engenharia
geralmente ligados ao setor de óleo e gás”, detalha Almeida.
Serviços
avançam 6,3% na comparação interanual
Na comparação com junho de 2021,
o volume do setor de serviços teve alta de 6,3% em junho de 2022, registrando a
16ª taxa positiva seguida. Houve expansão em quatro das cinco atividades.
O analista da pesquisa explica
que “o setor de transportes (9,8%) teve a principal contribuição positiva,
impulsionado pelo aumento de receita das empresas de transporte rodoviário de
cargas; rodoviário coletivo de passageiros; navegação de apoio marítimo e
portuário; e ferroviário de cargas. Esta é a 17ª taxa positiva do setor nessa
comparação”.
Em seguida, as principais
influências vieram de serviços prestados às famílias (28,2%); dos
profissionais, administrativos e complementares (8,0%); e de informação e
comunicação (0,9%). A única taxa negativa do mês veio do setor de outros
serviços (-4,7%).
Nessa comparação, 24 das 27
unidades da federação tiveram avanços. A principal contribuição positiva ficou
com São Paulo (7,9%), seguido por Rio Grande do Sul (15,3%), Minas Gerais
(7,9%) e Paraná (5,3%). Em sentido oposto, o Distrito Federal (-6,9%) assinalou
o resultado negativo mais importante do mês, seguido por Rondônia (-6,2%) e
Acre (-11,7%).
Serviços
crescem 8,8% no primeiro semestre de 2022
No acumulado do primeiro semestre
de 2022, o volume de serviços cresceu 8,8%. “O principal impacto veio também do
setor transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (13,9%),
seguido por serviços prestados às famílias (36,2%); profissionais,
administrativos e complementares (8,3%) e informação e comunicação (3,0%).
Outros serviços vêm com impacto negativo (-4,2%)”, detalha Almeida.
Já o acumulado em 12 meses vem
apresentando diminuição de ritmo, ao passar de 11,7% em maio para 10,5% em
junho de 2022. “Essa desaceleração vem sendo observada desde abril, quando
estava em 12,8%, indicando uma queda do efeito de base deprimida, completa o
analista.
Atividades
turísticas caem 1,8% em junho
O índice de atividades turísticas
caiu 1,8% frente ao mês imediatamente anterior, após ter avançado por três
meses consecutivos, período em que acumulou um ganho de 10,7%. Vale destacar
que o segmento de turismo ainda se encontra 2,8% abaixo do patamar de fevereiro
de 2020.
Segundo Almeida, “o que puxou as
atividades turísticas para baixo esse mês foi o transporte aéreo, devido ao
aumento do item passagens aéreas no IPCA em junho”.
Regionalmente, sete dos 12 locais
pesquisados acompanharam este movimento de queda. A influência negativa mais
relevante ficou com São Paulo (-2,2%), seguido por Rio de Janeiro (-1,2%),
Distrito Federal (-3,3%), Espírito Santo (-6,6%) e Pernambuco (-2,5%). Em
sentido oposto, Rio Grande do Sul (4,7%) assinalou o principal avanço em termos
regionais.
Mais
sobre a PMS
A PMS produz indicadores que
permitem acompanhar o comportamento conjuntural do setor de serviços no país, investigando
a receita bruta de serviços nas empresas formalmente constituídas, com 20 ou
mais pessoas ocupadas, que desempenham como principal atividade um serviço não
financeiro, excluídas as áreas de saúde e educação. Há resultados para o Brasil
e todas as unidades da Federação. Os resultados podem ser consultados no Sidra.
Fonte: Agência IBGE Notícias / Foto: Helena
Pontes/Agência IBGE Notícias