Publicado em: 17/07/2026

O volume de serviços no Brasil registrou uma queda de 0,4% em maio de 2026 na comparação com o mês anterior, interrompendo a trajetória de crescimento após ter apresentado uma alta de 1,1% em abril. Os dados constam na Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o recuo, o setor agora se encontra 0,5% abaixo do ponto mais alto de sua série histórica, que foi atingido em outubro de 2025.

?Apesar da retração pontual na margem, o segmento mantém uma distância confortável em relação ao período anterior à crise sanitária global, situando-se 19,6% acima do nível verificado em fevereiro de 2020.

No confronto com maio de 2025, o volume de serviços avançou 0,4%, o que representa a vigésima sexta taxa positiva consecutiva nessa base de comparação. No acumulado de janeiro a maio deste ano, o crescimento foi de 1,9% frente a igual período do ano passado.


?Transportes e outros serviços puxam queda mensal

O recuo de 0,4% observado na passagem de abril para maio de 2026 foi provocado pelo desempenho negativo de duas das cinco atividades investigadas na pesquisa. O setor de transportes de cargas registrou contração de 1,0%, enquanto o segmento de outros serviços apresentou uma queda de 1,9%. Ambas as atividades eliminaram integralmente as taxas de expansão que haviam computado no mês de abril, que foram de 0,9% e 1,9%, respectivamente.

?Em contrapartida, os serviços profissionais, administrativos e complementares cresceram 1,9% e os serviços prestados às famílias subiram 0,2%, assinalando o segundo avanço consecutivo para as duas áreas.

O primeiro grupo acumulou ganho de 2,5% no período recente, enquanto o último somou 1,6% de crescimento entre abril e maio. O segmento de informação e comunicação completou o quadro do mês registrando estabilidade (0,0%).


?Média móvel trimestral aponta ligeira retração

Na análise do índice de média móvel trimestral para o total do volume de serviços, houve uma ligeira variação negativa de 0,1% no trimestre encerrado em maio de 2026, quando comparado ao período imediatamente anterior. Duas das cinco atividades registraram perdas nesse indicador de tendência: transportes (-0,6%) e outros serviços (-0,6%).

?Pelo lado oposto, os serviços profissionais, administrativos e complementares cresceram 0,5% e os serviços prestados às famílias registraram alta de 0,1% sob essa ótica trimestral. O setor de informação e comunicação também repetiu o padrão de estabilidade, fechando com variação de 0,0% no índice de média móvel trimestral apurado em maio.


?Tecnologia e informação sustentam expansão anual

Na comparação interanual com maio de 2025, a alta de 0,4% no volume total de serviços foi impulsionada por três das cinco atividades de divulgação, alcançando crescimento em 47,6% dos 166 tipos de serviços investigados pela equipe do IBGE. O ramo de informação e comunicação cresceu 5,2% e gerou o principal impacto positivo, sustentado por atividades digitais e tecnologia.

?Esse desempenho anual foi impulsionado pelo aumento da receita em tratamento de dados, provedores de serviços de aplicação e serviços de hospedagem na internet; portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na internet; desenvolvimento de programas de computador sob encomenda; atividades de TV aberta; e consultoria em tecnologia da informação.


?Serviços para famílias e escritórios mantêm alta

Os outros dois avanços expressivos frente a maio de 2025 vieram dos serviços profissionais, administrativos e complementares, com alta de 2,3%, e dos serviços prestados às famílias, que cresceram 3,1%. Os resultados foram explicados, em grande parte, pelo aumento de faturamento em ramos de publicidade, locação de veículos e no segmento de alimentação fora do domicílio.

?O crescimento no primeiro ramo foi puxado por “agenciamento de espaços de publicidade; intermediação de negócios em geral por meio de aplicativos ou de plataformas de e-commerce; locação de automóveis; atividades jurídicas; e limpeza em prédios e em domicílios”. No setor de serviços prestados às famílias, a expansão anual foi sustentada pela performance de “restaurantes; e serviços de catering, bufê e outros serviços de comida preparada”.


?Transporte aéreo e logística registram perdas no ano

Na direção oposta, os transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio apresentaram retração de 4,2%, enquanto o segmento de outros serviços caiu 2,4% no confronto com maio do ano passado. Estes foram os únicos impactos negativos do indicador interanual, sob forte pressão de receitas menores em operações de cargas, aviação e mercado financeiro.

?De acordo com o IBGE, as quedas foram pressionadas pela menor receita vinda de “transporte aéreo de passageiros; rodoviário de cargas; logística de cargas; e navegação interior de carga”, no setor de transportes. Já no segmento de outros serviços, o resultado anual negativo foi decorrente do desempenho de “serviços financeiros auxiliares”.


?Ritmo de crescimento em 12 meses desacelera

?A perda de fôlego em maio também se refletiu no indicador acumulado de longo prazo. O ritmo de expansão do setor de serviços nos últimos 12 meses desacelerou para 2,6%, registrando uma redução de velocidade em relação ao índice observado em abril deste ano, quando a taxa acumulada marcava alta de 2,9%.

?Apesar do recuo no ritmo de crescimento anual, a receita nominal do setor de serviços continua apresentando variações positivas consistentes. No acumulado em doze meses até maio de 2026, a receita nominal registrou expansão de 7,4% no país, enquanto a alta acumulada no período de janeiro a maio atingiu 7,3% frente ao primeiro semestre do ano anterior.


Fonte: Movimento Econômico

Setor de serviços recua 0,4% em maio e interrompe sequência de alta no país