Publicado em: 06/09/2022
A criação do Acordo
sobre o Transporte Internacional Terrestre entre os Países do Cone Sul
(Mercosul), na década de 1990, composto por Argentina, Bolívia, Brasil, Chile,
Peru, Paraguai e Uruguai, possibilitou a circulação segura de bens e de pessoas
entre os países acordados. Dessa forma, as normas do tratado preveem diversas
documentações oficiais que devem ser portadas durante o transporte terrestre de
mercadorias.
Segundo a UXCOMEX,
empresa consultora em gerenciamento de processos do transporte, em 2019, o
Brasil exportou um valor somado de 225,383 bilhões de dólares, fazendo com que
o modal rodoviário seja responsável por cerca de 2,5% do valor total. Com isso,
o território brasileiro é referência nas mercadorias transportadas nas malhas internacionais.
Porém, as empresas que obtêm o serviço do Mercosul sofrem com alguns desafios
na realização de suas atividades, e o principal, descrito pelos profissionais
da área, é a infraestrutura de um país para o outro.
Recentemente, uma
forte nevasca na Cordilheiras dos Andes, localizada no Chile, atingiu a estrada
que liga a fronteira com a Argentina. Devido à situação climática, um
congestionamento na rodovia foi criado, embargando cerca de 500 caminhões. As
pessoas tiveram que ser socorridas pelas autoridades locais, pois o clima
chegou a atingir -18°C.
Danilo Guedes,
presidente da ABC Cargas, empresa que atua no transporte internacional,
destacou os cuidados que a organização teve durante esse momento de tensão, já
que alguns de seus caminhões e motoristas estavam no local. “Em primeiro lugar,
tivemos todo o cuidado com os nossos motoristas, e depois com as cargas dos
nossos clientes. Temos 25 anos de experiência, e fatores climáticos como esses
acontecem. Contudo, nossa expertise nos deu tranquilidade para
tomarmos as melhores decisões”, relata o executivo.
Quem realiza
operações pelas Cordilheira do Andes afirma que é normal encontrar algumas
situações climáticas ou até mesmo as estruturas das rodovias que prejudicam o
andamento da viagem. Dessa vez, porém, foi algo diferente na forma como a
nevasca se apresentou, chegando a acumular até 1,4 m de altura de neve.
Devido a essa
situação ainda mais complicada, as empresas que foram afetadas e tiveram as
suas operações estagnadas por conta da nevasca agiram rapidamente para ajudar
os seus colaboradores a enfrentarem o momento com menores dificuldades
possíveis.
Danilo complementa:
“O momento exigiu muita atenção e cautela para ajudar a todos. Resgatá-los com
segurança e encaminhá-los para locais com condições mínimas de conforto foi
muito desafiador, mas com o auxílio das autoridades locais a situação foi
contornada. Depois disso, nossa operação cuidou para que as mercadorias dos
nossos clientes estivessem, também, em segurança”.
Além da preocupação
com a vida das pessoas que se encontravam no local, muitas organizações tiveram
suas operações paradas por não conseguirem viajar até o seu destino, o que
causou prejuízos econômicos.
O presidente da ABC
salienta a importância da comunicação com os clientes para que essa
administração seja menos impactante a eles. “Tivemos prejuízos financeiros e um
acúmulo de cargas para serem enviadas. Porém, temos que saber lidar com esse
tipo de intempéries e conduzir a situação com os nossos clientes da melhor
forma”, descreve Danilo Guedes.
Esse cenário só
retrata alguns empecilhos que as transportadoras carregam, apesar de a situação
climática não ser algo controlado. Planejamento estratégico e treinamentos são
pontos considerados essenciais para as empresas continuarem se desenvolvendo e
para que o impacto diante dos gargalos seja menor.
“A empresa também
precisa fazer o seu papel e ajudar na capacitação dos seus motoristas, os
ajudando dessa forma a enfrentar diversas situações, inclusive climáticas.
Sempre disponibilizamos treinamentos e projetos internos e afins para auxiliar
em suas atividades, além de manter nossas frotas atualizadas e capacitadas para
esses tipos de gargalos”, descreve Danilo Guedes.
Ainda assim, mesmo
com alinhamentos para os impactos serem menores, Danilo diz que existem
limitações nessas ocasiões, pois não existe controle sobre os cenários
climáticos. “Não há muito o que antecipar com relação a fatores climatológicos.
Às vezes podemos estar no meio da estrada, pode cair neve e é tudo interrompido
no trânsito. O que fazemos diariamente nesse período é acompanhar as previsões
do clima, criar planejamentos mais assertivos com base nesses dados e contar
com um pouco de sorte”, finaliza o empresário.
Fonte: Revista Caminhoneiro / Foto:
divulgação/ABC Cargas