Publicado em: 26/12/2022
Os industriais do Paraná, apesar de cautelosos, pretendem
investir no negócio no próximo ano. Quando perguntados sobre a expectativa de
desempenho da indústria para 2023, 41% dos industriais se mostraram otimistas
ou muito otimistas e 44% expressaram expectativa neutra para 2023.
No mesmo quesito, os respondentes que se mostram pessimistas
e muito pessimistas para 2023 representam 14%. Eles sinalizaram que os fatores
que justificam esse posicionamento são os custos totais de produção (88%), a
dificuldade de explorar novos mercados (69%), as dificuldades com vendas (69%)
e os investimentos (68%).
Além disso, o alto custo de insumos e matérias-primas, a
infraestrutura e energia também figuram como grandes preocupações que podem
interferir na performance de suas empresas no próximo ano. Embora exista uma
cautela, os empresários demonstram otimismo com a produtividade e a
competitividade (10%), crédito (10%), energia (10%), PD&I (10%), e
concorrência (10%).
O resultado dos industriais otimistas ou muito otimistas
está ancorado principalmente na perspectiva de crescimento das vendas (87%), na
possibilidade de entrada em novos mercados (69%) e no aumento da produtividade
e competitividade (64%). Por outro lado, fatores como custos de produção (35%),
infraestrutura logística (32%) e energia (30%) se apresentam como os principais
entraves que podem interferir diretamente no desempenho dos negócios.
Os dados são 27ª edição da Sondagem Industrial, divulgada
nesta quarta-feira, 21 de dezembro, a exemplo de como faz todos os anos, desde
1995, a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).
Esta é a maior pesquisa feita junto aos empresários do setor
para identificar o desempenho dos negócios e as expectativas para o ano
seguinte. O estudo também é uma ferramenta importante para que a Federação
conheça intenções, dificuldades e desafios do setor nos próximos meses e possa
definir ações convergentes aos interesses da indústria, de acordo com as
prioridades sinalizadas na pesquisa.
Impacto
da economia e investimentos
Os industriais paranaenses sinalizam otimismo um pouco menor
em relação ao comportamento da economia em 2023, quando comparado a anos
anteriores. Para 58% dos respondentes, a economia pode apresentar retração. A
política nacional foi apontada como o principal fator para essa percepção. Além
disso, o cenário econômico nacional e internacional também foi citado como
responsável por esse resultado. Para 15% dos empresários respondentes, a
economia do país apresentará crescimento ou forte crescimento. E outros 27%
acreditam que a economia do país permanecerá estável.
Presidente do Sistema Fiep, Carlos Valter Martins Pedro
Para o presidente da Fiep, Carlos Valter Martins Pedro, os
resultados se explicam principalmente pelo momento de definições nos rumos da
política econômica do país. “As políticas que serão adotadas (pelo novo governo)
estão sendo explicitadas agora, então isso abala uma questão básica da
indústria que é a necessidade de planejamento, de segurança mínima do que vai
se fazer”, afirma. “A expectativa agora é de que se defina logo qual é o rumo
da economia, que caminhos vamos tomar para que a gente recupere um mínimo de
confiança no planejamento para a indústria, que é vital. O investimento no
setor sempre é de longo prazo e precisamos ter um mínimo de segurança”,
completa.
O economista da Fiep, Marcelo Alves, coordenador da
pesquisa, acrescenta que o cenário internacional também é um fator de
preocupação. “O resultado era esperado por conta das muitas mudanças no cenário
geopolítico mundial, que aliadas às dificuldades da economia nacional e à
instabilidade política do país, acabam influenciando a percepção do industrial
paranaense sobre a economia e os negócios nos próximos meses”, avalia.
A boa notícia é que mesmo com intenções mais cautelosas para
o ano que vem, 80% dos empresários que responderam à pesquisa confirmaram
disposição em fazer novos investimentos em 2023. Em torno de 20% pretendem
fazer mais ou muito mais do que foi realizado em 2022. Outros 29% devem manter
o nível feito em 2022. Só 31% devem reduzir os valores.
As prioridades de investimento são em melhoria de processos,
produtos ou serviços (58%), redução de custos de produção (49%) e prospecção de
novos mercados (44%). Além destas prioridades, modelos de negócio e
comercialização, ampliação da capacidade produtiva e melhoria da qualidade também
aparecem como principais intenções de investimento.
O presidente da Fiep afirma que os investimentos são
fundamentais para o setor, especialmente neste momento. “O investimento
da indústria precisa ser constante na busca de maior competitividade, melhoria
de produtividade e aprimoramento de portfólio de produtos, ainda mais numa
expectativa não tão boa como nós estamos, pela insegurança do planejamento”,
diz.
“A disposição de retomar os investimentos é um bom sinal
para o setor e para a economia”, reforça Alves. “Significa que o empresário já
está buscando alternativas de superar as dificuldades com um planejamento e
metas bem definidas. Este é um indicativo concreto de que vai trabalhar para
melhorar a performance de sua empresa, elevando a capacidade produtiva, para
ganhar competitividade”, completa o economista.
Quanto à principal fonte de financiamento, 65% afirmaram que
utilizarão recursos próprios, 18% pretendem recorrer a bancos de fomento e
desenvolvimento e 9% indicaram que utilizarão recursos de bancos tradicionais.
“A maior utilização de recursos próprios como principal fonte de financiamento
pode estar atrelada à dificuldade de acesso e ao alto custo do crédito no
Brasil, além dos riscos de endividamento da empresa”, complementa Alves.
Retrospecto
de 2022
Para 67% dos industriais, as empresas apresentaram um
desempenho bom ou muito bom em 2022. O principal fator que influenciou esse
resultado foram as vendas, aumento da produtividade e competitividade,
investimentos e aposta em novos mercados. Esses empresários também apontaram os
custos totais de produção como o principal fator de influência negativa.
“Esse resultado positivo que temos até agora em 2022 mostra
a qualidade, a diversidade, a produtividade e a competitividade que a indústria
do Paraná tem”, declara Carlos Valter. “E a gente só tem que ressaltar,
enquanto Fiep, esse valor do empresário industrial paranaense”, acrescenta.
Apenas 9% das empresas participantes da pesquisa afirmaram
ter apresentado um desempenho ruim. Para esses, o que mais impactou no
desempenho foram os custos elevados de produção, queda em vendas e insumos e
matérias-primas mais caras ou escassas. Quatro temas, segundo eles, tiveram
impacto relevante sobre o desempenho dos negócios em 2022. O mais relevante é a
carga tributária, seguido pela conjuntura econômica nacional e internacional e
corrupção.
Em relação à concorrência, independentemente do mercado de
atuação, o industrial avalia que a qualidade, a gestão, a cadeia de
fornecedores, o pós-venda e a logística são os principais pontos fortes. Por
outro lado, a competição desleal, a alta carga tributária, a burocracia, os
custos e a segurança/insegurança jurídica são os principais pontos fracos.
Em relação à atividade de comércio exterior, 48% afirmaram
ter exportado em 2022. “Vale ressaltar que o comércio internacional pode
significar uma ampliação de mercados para as indústrias, principalmente em um
período de crise econômica e com câmbio favorável”, reforça Marcelo Alves. “As
atividades de exportação podem e devem ser aproveitadas por empresas de todos
os segmentos e portes e mudanças na relação de comércio internacional,
observadas recentemente, podem favorecer a relação de proximidade com
fornecedores, buscando evitar a interrupção dos fluxos produtivos e a oscilação
de custos em momentos de dificuldade, se apresentando como oportunidades a
serem exploradas por fornecedores nacionais”, conclui o economista.
O resultado completo da Sondagem Industrial 2022-2023 pode
ser acessado no endereço eletrônico: https://sondagemindustrial.org.br/ ou
pelo site do Sistema Fiep (www.sistemafiep.org.br).
Fonte: Bem Paraná / Foto: Divulgação/Bem Paraná