Publicado em: 28/12/2022
Desde o fim das concessões rodoviárias do Anel de Integração
do Paraná, em novembro do ano passado, a responsabilidade sobre os bens imóveis
das concessões (praças de pedágio, postos de atendimento ao usuário e bases das
equipes de resgate, entre outras) é do Departamento Nacional de Infraestrutura
de Transporte (DNIT). Um ano e um mês após o fim da gestão privada das
rodovias, no entanto, a situação dessas estruturas é de completo abandono, com
os imóveis depredados, vandalizados, até com a fiação elétrica, e qualquer
outro material de valor comercial roubada. E o superintendente do DNIT no
Paraná, Hélio Gomes da Silva Junior, admitiu que a situação de abandono foi uma
opção da indústria
“Se tivéssemos feito guarda e vigilância, teríamos um custo
gigantesco. Jogamos a favor da economia da União. É muito mais fácil
reconstruir essas praças que, infelizmente, foram vandalizadas, do que fazer a
guarda e a vigilância”, afirmou em entrevista à jornalista Carolina Wolf, da
RPC. Silva Junior disse, também, que o DNIT foi pego de surpresa com o fim dos
contratos do pedágio sem uma nova concessão já licitada e assumiu a
administração das rodovias paranaenses sem dispor de orçamento para isso. “Não
tínhamos essa previsão financeira, não tínhamos expectativa de ter que
administrar essas rodovias, não tínhamos como saber se teríamos ou não que
assumir a rodovia, pois, no momento que acabou uma concessão, já era para ter
começado outra. Então, fomos pegos de surpresa”, declarou.
A reportagem da RPC mostrou, também, que um levantamento da
Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) apontou que, neste um ano sem
pedágio, a velocidade média nas rodovias do Anel de Integração do Paraná
diminuiu 20% por conta de buracos, problemas de manutenção na pista e
congestionamentos causados por acidentes ou incidentes que demoram a ser
atendidos. Segundo a Fiep, enquanto as concessionárias levavam, em média, sete
minutos para chegar ao local de um acidente nas rodovias, o Corpo de Bombeiros
ou a Polícia Rodoviária tem levado, em média, 20 minutos. De acordo com o mesmo
levantamento o tempo para desobstrução da pista após uma intercorrência dobrou
no período sem pedágio.
“Passamos de uma manutenção preventiva, que evitava os
buracos, a degradação da via, e fazia a contenção das encostas, por exemplo,
muito mais fáceis de se fazer e mais baratas, para manutenções corretivas, que
é desobstruir a estrada, tampar os buracos após as ocorrências”, comentou à RPC
o gerente de assuntos estratégicos da Fiep, João Arthur Mohr.
Fonte: Gazeta do Povo / Foto: Juliet Manfrin / Especial para
a Gazeta do Povo