Publicado em: 12/05/2022
Os ditados
populares são expressões que transmitem conhecimentos de geração em geração, e
a sabedoria desses ditados chega a ser espantosa em muitas vezes, afinal, quem
nunca se pegou vivendo alguma situação expressa nesses ditados? No Paraná, o
novo plano de concessão das rodovias do Estado parece estar se tornando um
desses ditados, pois, a cada dia, o paranaense que olha para esse novo plano de
concessões deve ficar pensando que “não existe nada tão ruim que não possa
piorar”.
E existe, sim,
infelizmente. A novidade da vez é que a tarifa inicial do novo plano de
concessões das rodovias do Paraná, a PR Vias, sofrerá reajuste antes do
lançamento do edital, ou seja, aquele o valor inicial que iria para leilão
previsto pela ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre), órgão federal
responsável pela elaboração do projeto, em novembro já terá um reajuste. E tem
coisa pior, talvez não seja o único reajuste na tarifa inicial.
A informação
foi confirmada pela própria ANTT, que justificou que os valores nominais dos
estudos de viabilidade foram referenciados uma data-base que deve ser
atualizada. “O que se está fazendo no momento é a atualização da data-base dos
custos referenciais do Sistema Oficial de Custos Rodoviários (SICRO), que
embasa a orçamentação dos investimentos previstos nos estudos de viabilidade,
passando da referência de janeiro de 2021 para outubro de 2021”, informou o
órgão Federal.
Além disso, a
ANTT disse que a atualização é determinação do Tribunal de Contas da União
(TCU). “A atualização dos orçamentos para data-base mais recente do SICRO segue
determinação do TCU e consiste em boa prática dos estudos de viabilidade, sendo
procedimento comum aos processos de estruturação de concessões.” Apesar de já
prever o reajuste, a agência ainda não informou os valores nominais que serão
refletidos nas tarifas de cada praça ou lote.
Na semana
passada, o deputado estadual Soldado Fruet (PROS) esteve em Brasília e
conversou pessoalmente com o diretor da ANTT, Davi Barreto, que já havia
adiantado a situação ao parlamentar. Preocupado com a questão, o deputado já
estuda medidas judiciais para o caso. “Se antes do edital ser lançado, a ANTT
já vai rever os valores, imaginem após as concessionárias começarem a atuar”,
afirmou.
Durante a
audiência, Fruet disse ter demonstrado à equipe da ANTT, cálculos de que, em
cinco anos, o novo pedágio do Paraná será mais caro do que era até novembro de
2021. Segundo o parlamentar, o diretor da agência confirmou ter conhecimento
dos problemas envolvendo pedágios no Paraná.
Impacto das
obras
A Frente
Parlamentar sobre o Pedágio da Assembleia Legislativa do Paraná encaminhou
ofícios aos 87 municípios que serão impactados por obras do novo pedágio
informando que dispõe de uma série de dados acerca dos investimentos previstos
ao longo da futura concessão de rodovias, cujo processo está a cargo do governo
federal.
As informações
compartilhadas com as prefeituras fazem parte dos relatórios produzidos pelo
Instituto Tecnológico de Transportes e Infraestrutura da Universidade Federal
do Paraná (ITTI/UFPR). O coordenador da Frente Parlamentar, deputado Arilson
Chiorato (PT), explica que o relatório do ITTI apontou diversas interferências
em dezenas de municípios paranaenses.
“Além da falta
de audiência nos municípios que sofrerão os impactos diretos das obras, os
estudos do ITTI apontaram possíveis contrariedades com diretrizes dos planos
diretores e com a legislação municipal. Também há problemas com a localização
de praças de pedágio, preços de tarifas para moradores, entre outras situações”,
pontua.
Os estudos do
ITTI analisaram duplicações, faixas adicionais, travessias urbanas, marginais,
contornos, viadutos, trevos, trincheiras entre outras novas obras e apontaram a
possibilidade de a proposta onerar economias locais, prejudicar a competitividade
das empresas, além de isolar muitos municípios impactados pelas praças de
pedágio.
Conselho de
Gestão
O deputado Luiz
Claudio Romanelli (PSD) encaminhou ofícios para a ANTT e para o Tribunal de
Contas da União sugerindo a criação de conselhos de gestão para cada lote de
concessão de rodovias. A proposição é de que os conselhos sejam formados por
representantes dos governos federal e estadual e de entidades representativas
dos usuários. O objetivo é acompanhar o contrato e fiscalizar as concessões.
Fonte: O Presente / Foto: divulgação/O Presente