Publicado em: 09/05/2023
A taxa básica
de juros vigente no país é “incompatível com a expectativa de crescimento da
indústria”. A afirmação foi feita na manhã desta segunda-feira (8/5) por Márcio
de Lima Leite, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos
Automotores (Anfavea), entidade que reúne as principais montadoras do país.
“Apoiamos a independência do Banco Central (BC)”, disse Leite. “Mas, com esses
juros, o mercado continuará em retração, ele não vai crescer.”
A crítica
aos juros básicos do país, a Selic, fixada em 13,75% ao ano pelo BC, foi feita
durante a apresentação dos resultados da Anfavea de abril. Nesse mês, o setor
registrou queda na produção (18%), nas vendas (19,2%) e na exportação (19,4%)
de veículos. Isso em comparação a março deste ano. “Estamos adequando a
produção à demanda de mercado”, afirmou Leite, observando que ocorreram nove
paralisações de fábricas do segmento no mês passado. Desde o início do ano,
elas somam 13.
O presidente
da Anfavea acrescentou que, por se tratar de um tema “complexo”, o país precisa
encontrar alternativas para superar a questão dos juros. A entidade sugeriu ao
governo federal a permissão do uso de parte do FGTS para a aquisição de
veículos novos e usados, como forma de aquecer as vendas do setor. Em
entrevista ao Metrópoles, Leite havia dito que, com o mercado fraco, há o risco
de alguma montadora deixar o país.
Leite também
creditou a queda nos três indicadores (produção, vendas e exportação) ao número
de feriados de abril, três no total, sendo todos prolongados. “Na prática,
março teve cinco dias úteis a mais”, afirmou. “E cada dia perdido tem uma
influência de 4% a 5% na produção final.”
Em relação
aos números apresentados pela Anfavea, eles mostram uma queda em abril em
relação a março, mas, em alguns casos, houve elevação no contraste com o mesmo
período do ano passado. Isso embora 2022 tenha sido um dos piores momentos da
indústria desde os anos 2000. Ou seja, nesse caso, a base de comparação é ruim,
por ser extremamente baixa.
Em abril, a
produção foi de 137,5 mil veículos, contra 167,7 mil, em março (-18%). Em
relação a abril do ano passado, ela também apresentou queda, mas menor: 3,9%.
Na análise do período entre janeiro e abril de 2022 e 2023, porém, houve aumento
de 4,8% no total de veículos fabricados no Brasil neste ano.
As vendas
caíram 19,2% entre março (199 mil veículos) e abril (160,7 mil). Mas entre o
mês passado e abril de 2022, ou seja, na referência anual, houve crescimento de
9,2%. Esse avanço chega a 14,4% na análise entre os primeiros quatro meses
deste ano e do ano passado.
As exportações apresentaram resultados semelhantes.
Queda de 19,4% entre março e abril deste ano (221,8 mil veículos contra 178,9
mil) e baixa na comparação a março de 2022 (3,9%). Ocorreu, contudo, um aumento
das vendas ao exterior de 4,8% no contraste entre janeiro e abril do ano
passado em relação ao mesmo período deste ano. Na prática, todos os resultados
foram melhores do que os quatro meses do ano passado. Mas eles perdem na
comparação com o mês imediatamente anterior e, no caso da produção, em relação
a abril de 2022.
Fonte: CNN
Brasil/ Foto: Linha de montagem da Volkswagen