Publicado em: 14/11/2022
O bom desempenho do setor de serviços no País é
impulsionado pelos segmentos de tecnologia da informação e de transporte de
cargas, frisou Rodrigo Lobo, gerente da Pesquisa Mensal de Serviços do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na média global, o volume de serviços prestados cresceu 0,9%
em setembro agosto, com avanços em três das cinco atividades pesquisadas. O
destaque foi o avanço de informação e comunicação (2,0%, terceiro resultado
positivo seguido, com ganho acumulado de 4,1%). As demais expansões ocorreram
em serviços prestados às famílias (1,0%, sétimo crescimento seguido, um ganho
acumulado de 11,7%) e serviços profissionais, administrativos e complementares
(0,2%). Na direção oposta, houve perdas nos transportes (-0,1%) e nos outros
serviços (-0,3%).
O setor de serviços operava em setembro no ponto mais alto
já registrado pela série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços, iniciada em
2011 pelo IBGE. O desempenho superou o recorde anterior, registrado em novembro
de 2014. Entre os subsetores, os serviços prestados às famílias estavam 12,5%
abaixo do pico de maio de 2014, enquanto os serviços de informação e
comunicação operavam em setembro de 2022 em patamar recorde. Os serviços
profissionais, administrativos e complementares estavam 15,9% abaixo do ápice
de março de 2012, e o segmento de outros serviços estava 9,9% abaixo do auge de
janeiro de 2012. Os transportes funcionavam em patamar 0,1% aquém do recorde
visto em agosto de 2022.
“O destaque deste mês foi a renovação desse pico da série
histórica do setor de serviços”, afirmou Rodrigo Lobo.
O pesquisador do IBGE diz que o setor de serviços foi
impulsionado por um “acelerado processo de transformação digital” que ocorreu
na economia brasileira e mundial no momento mais agudo da pandemia. O movimento
beneficiou o segmento de tecnologia da informação, que também cresceu com o
“boom do comércio eletrônico”. As vendas online incentivaram ainda o transporte
de cargas no País, que foi mais demandado também por alguns segmentos industriais
e pelo agronegócio.
O setor de tecnologia da informação operava em setembro
deste ano em nível recorde, enquanto o transporte de cargas estava apenas 0,5%
abaixo do ponto mais alto da sua série histórica, alcançado no mês de agosto
deste ano.
“São os dois segmentos que registraram ganho nesses últimos
três anos, levando esse patamar de serviços para o patamar que está hoje”,
disse Lobo. “A recuperação de serviços presenciais não contribuiu para levar os
serviços para o patamar que está hoje.”
Após a alta no volume de serviços prestados em setembro ante
agosto, o setor de serviços passou a funcionar em patamar 11,8% superior ao de
fevereiro de 2020, antes do agravamento da crise sanitária no País. Os
transportes passaram a operar 21,8% acima do nível pré-covid, e os serviços de
informação e comunicação estavam 16,9% acima. O segmento de outros serviços
estava 4,2% além do pré-pandemia, e os serviços profissionais e
administrativos, 6,2% acima. Já os serviços prestados às famílias ainda estavam
3,9% abaixo.
“Os serviços às famílias crescem há sete meses seguidos.
Ainda assim não é suficiente para levar essa atividade para o patamar
pré-pandemia”, apontou Lobo. “Os serviços prestados às empresas foram os que
alavancaram o setor de serviços nos últimos três anos.”
Fonte: Bem Paraná / Foto: Divulgação/InfoMoney