Publicado em: 17/02/2022
Reconhecidamente
o meio de abastecimento mais utilizado no Brasil, o setor de transporte
rodoviário de cargas não para de crescer. Mesmo em um período de instabilidade
econômica, ocasionado principalmente pelo longo período de pandemia, o segmento
cresceu 38% no primeiro quadrimestre de 2021, em comparação ao mesmo período de
2020, de acordo com o Índice de Movimentação de Cargas do Brasil, passando de
R$ 2,1 trilhões em movimentações registrados para R$ 3 trilhões.
Apesar do aumento na demanda de cargas e
o consequente crescimento das empresas, o setor continua esbarrando nos
gargalos logísticos ocasionados pela falta de investimento na infraestrutura do
país. Segundo dados da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de
Base (Abdib), o total estimado de investimentos em infraestrutura de
transportes e logística vão somar R$ 124,3 bilhões entre 2022 e 2026. Porém,
ainda de acordo com a entidade, este cenário de investimentos não é suficiente
para o país eliminar os desafios que atrapalham a produção e o crescimento
econômico. Nas contas da Abdib, os investimentos em transportes e logística,
por exemplo, deveriam representar o equivalente a 2,26% do Produto Interno
Bruto (PIB), ou algo como R$ 161 bilhões por ano.
Diante desses investimentos
insuficientes, as empresas que atuam com o transporte de cargas precisam
desenvolver um planejamento diferenciado para cada região e necessidade de seus
clientes. Segundo Guilherme Juliani, CEO do Grupo MOVE3, detentora das empresas
Flash Courier e Moove+ que atuam no segmento, “o Brasil é um país de dimensões
continentais, com diversos desafios de logística, aeroportuários, entraves de
barreiras, ferroviários, rodoviários e com uma demanda logística muito
específica. Precisamos entender a realidade dos diferentes stakeholders e como
cada região possui um desafio distinto. Acredito que chegar até o que chamamos
de locais de risco e levar a esses moradores o direito ao serviço de logística
é um dos principais desafios no Brasil hoje. Atender todos os locais com
qualidade passa por entender as diferentes realidades que temos no país, e isso
demanda planejamento e adaptação”.
Além disso, as empresas dos setores
ligadas à logística estão cada vez mais investindo em novas tecnologias que
auxiliam no desenvolvimento de suas atividades e na superação dos desafios
impostos pela infraestrutura brasileira. “Inovar nossos processos com o auxílio
da tecnologia nos permite criar serviços mais eficientes e que garantem maior
segurança e qualidade dos processos. No Grupo MOVE3 foi clara a evolução que
tivemos quando começamos a adaptar nossa operação com novas esteiras e robôs,
ou quando criamos serviços como lockers e pontos de retirada, que ajudaram a
reduzir os índices de devolução. Ainda, ter implementado em nosso sistema
tecnologias como big data e machine learning nos permitiu focar no planejamento
da nossa empresa, tornando a tecnologia uma aliada da operação”, adiciona
Guilherme.
De forma geral, os setores que compõe a
logística brasileira conseguiram se adaptar bem aos desafios e seguem
movimentando a economia do país. “Mesmo com as dificuldades que conhecemos, nós
brasileiros realizamos um trabalho de maneira brilhante e desenvolvemos padrões
não vistos em diversos lugares do mundo. Acredito que temos potencial para
sermos destaque na realização de serviços, e o que falta, já há algum tempo, é
um investimento mais assertivo por parte das nossas autoridades”, finaliza o
CEO.
Fonte: Blog do Caminheiro