Publicado em: 11/03/2022
As empresas
transportadoras de cargas dizem que o repasse da alta no preço do diesel anunciada
nesta quinta-feira (10) pela Petrobras é inevitável. O movimento deve
pressionar os preços de todos os produtos movimentados por caminhões no país.
Segundo a
NT&C Logística (Associação ?Nacional do Transporte de Cargas e Logística) o
reajuste cria "uma situação crítica para o transportador, que ainda está
negociando com os seus clientes o repasse dos quase 50% de aumento que
aconteceram em 2021".
"Infelizmente,
quem vai pagar essa conta é o consumidor. Vamos ter que repassar para
indústria, para o comércio", diz o presidente da Fetranscarga, federação
que representa os transportadores do Rio de Janeiro, Eduardo Rebuzzi.
O setor
argumenta que o óleo diesel representa, em média, 35% dos custos e sugere às
transportadoras que incluam em contratos antigos gatilhos para revisão do valor
do frete em caso de alta no preço do combustível.
A NT&C
Logística diz que o setor já havia constatado a necessidade da recomposição do
preço do frete por aumentos recentes dos insumos de transporte, em índices que
variam de 18,58% na carga fracionada e 27,65% na carga lotação.
"Não é só
o combustível. Vai ver o preço do pneu, da suspensão", diz Carlos Panzan,
presidente da Fetcesp, que representa as transportadoras de São Paulo.
Com o reajuste
de 24,9% no preço do diesel, que representa um acréscimo de 8,75% no custo do
setor, a defasagem no frete subiria para quase 29% na carga fracionada e quase
39% na carga lotação.
Logo após o
anúncio da Petrobras no preço do combustível, as diversas federações
brasileiras de transportadoras convocaram uma reunião emergencial para debater
o tema.
No fim da
tarde, um comunicado foi enviado a associações que representam clientes. O
reajuste do diesel desta quinta, afirma o texto, é emergencial e deve ser
repassado independentemente das negociações sobre a defasagem passada.
Ao
contrário dos
caminhoneiros autônomos, as empresas transportadoras evitam críticas ao
governo. Em 2018, o setor foi apontado como o principal motor da greve que
paralisou o país por duas semanas em protesto contra os altos preços dos
combustíveis.
"Acreditava-se
que, com a previsão de término da pandemia, os preços voltassem a ficar mais
estáveis, porém a guerra entre Rússia e Ucrânia vem acarretando elevação do
preço do barril de petróleo nunca vista, com graves reflexos no preço do
diesel", afirmou a NT&C no texto divulgado nesta quinta.
Rebuzzi
ressaltou que o ICMS é um fator de pressão sobre os preços e defendeu a
mudança na cobrança do imposto aprovada nesta quinta pelo Senado, com
apoio do governo federal. "A gente sabe que, cada vez que aumenta o
diesel, os estados arrecadam mais."
Panzan também
defendeu as mudanças no ICMS e diz que o setor é favorável também a um colchão
de amortecimento dos preços dos combustíveis, como o fundo de estabilização
também aprovado pelo Senado.
Fonte: Folha de
São Paulo / Foto: Jariel Carvalho/ Folhapress / Folhapress