Publicado em: 06/10/2022
A inflação atingiu em cheio o setor de transporte rodoviário
de carga no Brasil. Segundo levantamento feito pela Ticket
Log, de janeiro de 2021 a maio deste ano o custos com peças subiram, em
média, 57%. Além disso, as transportadoras foram afetadas pelas sucessivas
altas do diesel. Assim, tanto empresas quanto caminhoneiros autônomos apostam
na pesquisa de preços para reduzir as perdas.
É o caso de Anderson Zamperlini, dono de um Volkswagen
Worker 9.150 ano 2008. ?Não tenho medo de procurar, negociar e de precisar de
mais tempo para comprar.? De acordo com o caminhoneiro, há diferenças de preço
inclusive de uma região para outra, ou mesmo entre Estados. ?Em Santa Catarina,
o filtro de ar saiu R$ 70 mais barato do que no Paraná?, diz.
Conforme o diretor-executivo da Ghelere Transportes, Eduardo Ghelere (abaixo), também vale a pena pechinchar. Ele conta que incorporou essa prática à sua rotina de negociação. Segundo o empresário, em último caso vale a pena trocar de fornecedor. ?Importei 200 pneus e fiquei dois meses sem comprar aqui. Depois disso, o fornecedor nacional acabou negociando um valor mais justo?, afirma.
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Foto: Ghelere Transportes
Inflação
prejudica planejamento
Além disso, a transportadora está reduzindo o máximo
possível de gastos. Nesse sentido, em vez de camas grandes na cabine, por
exemplo, seu novos caminhões vêm com modelos menores. Mesmo assim, Ghelere diz
que não está conseguindo fechar as contas no azul. De acordo com ele, o
orçamento previsto para manutenção entre janeiro e agosto deste ano estourou em
mais de 40%.
Ou seja, a inflação compromete o planejamento das empresas.
Segundo o presidente do Setcesp,
Adriano Depentor, há risco de colapso nos planos de manutenção preventiva. O
sindicato representa mais de mil empresas de transporte do Estado de São Paulo.
De acordo com ele, na maioria das vezes não dá para repassar o aumento de
custos ao valor do frete.
Conforme o executivo, muitas transportadoras estão buscando
itens mais baratos no mercado paralelo. ?Contudo, isso nem sempre traz
segurança para rodar. Muitas vezes, as peças de segunda linha não têm controle
de qualidade?, alerta. De acordo com Depentor, a situação é mais comum no caso
das pequenas transportadoras.
Envelhecimento
da frota
Seja como for, as fabricantes também buscam formas de evitar
a migração de clientes para o mercado paralelo. Segundo informações da Paccar Parts, marca de peças de
reposição da DAF, há um grande esforço para evitar o repasse da alta de custos
ao consumidor.
Além, disso, o diretor-geral da empresa, Antenor Frassom,
afirma que a companhia lançou um pacote de revisão com preços fixos neste ano.
?Vamos manter a promoção até dezembro para ajudar a amenizar as altas de custos
que os transportadores estão tendo com combustível e outros componentes?, diz.
De acordo com o diretor-geral de Especialidades de Frota e
Mobilidade, da qual a Ticket-Log faz parte, Eduardo Fleck, a inflação das peças
também contribui para o envelhecimento da frota. Conforme o especialista, de
janeiro de 2019 até agora, a idade média dos veículos pesados no Brasil cresceu
29%.
Câmbio
afeta preços
Vários fatores são responsáveis pelos aumentos. Segundo o
coordenador de cursos automotivos da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), Antonio Jorge Martins, entre eles estão a alta dos
custo de logística. Bem como a valorização do dólar em relação ao real.
Seja como for, também houve desvalorização do euro. Assim,
Frasson afirma que a situação atual também tem vantagens. Afinal, boa parte das
peças fornecidas pela Paccar Parts são importadas da Europa. ?A alta demanda
nos trouxe um crescimento de aproximadamente 60% no acumulado de vendas deste
ano?, diz.
"Queremos ampliar a oferta de revisão a preço fixo para
caminhões a partir de três anos de uso, que já estão fora da garantia.? Segundo
o executivo, o foco serão itens da TRP. Ou seja, a linha de componentes para
modelos de outras marcas e modelos vendidos no Brasil. Porém, ele afirma que,
caso a inflação continue subindo, a empresa deverá reajustar os preços em
janeiro.
Fonte: Estradão / Foto: Divulgação: Setcesp