Publicado em: 24/08/2022
O transporte de cargas roda
confiante na recuperação da economia graças às exportações, ao agronegócio e às
medidas de desoneração do governo. No País, a atividade cresceu 13,9%
no primeiro semestre quando comparada ao mesmo período do ano passado.
Em Minas Gerais, o setor não tem números fechados, mas replica os resultados
nacionais, como o incremento de 0,6% na movimentação de junho.
“A demanda em Minas
cresceu e vai continuar crescendo no segundo semestre, impulsionada pelo
transporte de produtos primários de exportação, como minério e aço, e os
insumos do agro, como fertilizantes, no preparo da safra”, explica o presidente
do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais
(Setcemg), Gladstone Lobato.
Como o setor é muito competitivo,
nem todas as empresas conseguiram repassar seus custos aos embarcadores. Neste
contexto, então, a queda no preço do diesel foi muito bem-vinda já
que, segundo Lobato, conseguiu amenizar a planilha de despesas de várias delas.
Tais medidas implementadas pelo governo trazem otimismo ao setor, já que se
refletem nos custos de produção e de transporte e, consequentemente, na melhora
da atividade econômica.
Com mais caminhões rodando, o
maior desafio do setor está nas más condições das estradas. “O que
adianta a gente se planejar para acompanhar o crescimento da economia e, de uma
hora para outra, cai uma barreira e todo o planejamento cai por terra, por
conta da precariedade da infraestrutura de logística? Tudo aumenta, gasto de
combustível, manutenção, tempo na estrada. E Minas Gerais, que tem a maior
malha rodoviária do País, sofre mais com isso”, aponta Lobato.
O segmento que mais cresceu no
transporte de carga nacional foi o e-commerce, que, em
Minas, está impulsionando o desenvolvimento de regiões como o Sul do Estado, o
Triângulo e o entorno de Belo Horizonte, onde estão concentrados os grandes
centros de distribuição.
A maior transportadora de carga
fracionada do País, a Braspress, tem 48 anos de mercado e sede em Guarulhos,
mas cerca de vinte de suas 117 filiais estão em Minas. Por isso, inclusive, ela
é associada ao Setcemg.
Atenta a um contexto singular
como foi o da pandemia, a empresa conseguiu um resultado histórico no comércio
eletrônico. “Mais de 400%”, revela o presidente da empresa, Urubatan Helou. Ele
acredita, no entanto, que o crescimento a partir de agora não será tão
explosivo. “O e-commerce tende a se estabilizar numa convivência mais
equilibrada com as lojas físicas”, avalia Helou, à frente de uma estrutura com
9 mil funcionários e três mil caminhões.
Segundo o empresário, a redução
do preço do diesel pouco representou nos custos da transportadora, já que o
combustível vinha de uma brutal elevação. A empresa fez um repasse de preços
este ano de 18%, que, segundo Helou, compensou as despesas com diesel, mão de
obra, autopeças e caminhões.
Para ele, o setor de
transporte de cargas tem dois grandes desafios pela frente, a começar
pela alta carga tributária. “Carregamos 53% de tributos diretos e
indiretos nos nossos caminhões”, diz.
O segundo é o combate ao roubo
de cargas, um problema que atinge especialmente o segmento de cargas
fracionadas, cujo valor agregado as torna mais visadas. “A situação só não é
pior por causa dos investimentos que fazemos em gerenciamento de riscos. Na
Braspress, eles chegam a 10% da receita operacional”, revela o
transportador.
“Não é uma questão setorial, ela
se reflete em toda a economia. Combater o roubo de cargas tem que ser política
de governo”, acrescenta.
ANTT altera pisos mínimos do
frete rodoviário
São Paulo – A Agência
Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou ontem portaria com mudança
nos pisos mínimos do frete rodoviário após recuo recente nos preços do diesel
S10.
A última mudança na tabela do
frete havia sido uma revisão ordinária em julho, com aumento médio de até
1,96%.
Segundo a lei, a tabela é
reajustada de modo ordinário até os dias 20 de janeiro e de julho, e de modo
extraordinário quando houver variação superior a 5% no preço médio do diesel
S10 coletado pela agência reguladora do setor de petróleo ANP.
Esse percentual era de 10%, mas
foi modificado para 5% pelo governo federal por meio de Medida Provisória em
maio.
A tabela de julho levava em conta
os valores divulgados pela ANP na semana até o dia 16 daquele mês, quando foi
apurado preço médio de R$ 7,58 por litro, enquanto na semana encerrada em 20 de
agosto o valor coletado foi de R$ 7,13 por litro, queda de 5,94%.
O recuo nos preços de diesel, bem
como de gasolina e etanol, vem principalmente do impacto de reduções das
cotações nas refinarias da Petrobras em meio a uma queda no petróleo no
exterior.
Para transporte de granel sólido na modalidade carga lotação com quatro eixos carregados, por exemplo, o coeficiente de custo de deslocamento passou de R$ 4,7055 por quilômetro para R$ 4,5346 por quilômetro. (Reuters)