Publicado em: 15/12/2022
O transporte rodoviário de cargas registrou, no primeiro
semestre de 2022, uma crescente contínua pós-período pandêmico e com as
variantes políticas. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), em 2021 houve um crescimento de 11,4% do setor de
transportes, número acima da expansão do Produto Interno Bruto do país, que foi
de 4,6%. Para 2022, a estimativa do mercado, refletida no Boletim Focus do Banco
Central, é de uma expansão de 1,93% do PIB brasileiro.
Com esse novo recorde, o reflexo obtido com a expansão do
transporte de cargas no modal rodoviário muito se deu pelo excelente desempenho
do agronegócio, com uma produção de 16,73 milhões de toneladas de grãos em 2022
– aumento de 9% frente à safra anterior – e também pela interiorização da
produção, ampliando as rotas para as transportadoras. A lista de produtos que
são transportados diariamente no Brasil é extensa, como no caso dos bens de
consumo, máquinas, siderúrgicos, químicos, combustível, entre outros.
Mas, apesar de o setor de transporte rodoviário de cargas
movimentar, hoje, 65% das mercadorias produzidas no país, o segmento enfrenta
gargalos já conhecidos. Dados do PIB, divulgados pelo IBGE, mostraram que o
setor cresceu 2,1% no primeiro trimestre de 2022, em relação ao anterior. Esse
desempenho se deve a uma combinação de fatores e, em especial, pode-se destacar
o retorno das atividades com a redução de casos de infecção por Covid-19, bem como
a melhor situação das cadeias logísticas internacionais. No comparativo com o
primeiro trimestre de 2021, o crescimento da atividade foi de 9,4%.
Apenas no fechamento do primeiro semestre de 2022, o
transporte rodoviário de cargas apresentou saldo positivo de 42.956 postos
formais de trabalho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados (Caged), valor que representa 76% das oportunidades geradas pelos
outros modais de transporte entre cargas e passageiros no país.
De acordo com dados da última Pesquisa Mensal de Serviços,
apresentada pelo IBGE no dia 14 de julho, o segmento exibe um aumento de 23,1%
em volumes transportados, relacionado com o registrado em fevereiro de 2020.
Mas, de acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de
Carga de São Paulo e Região (SETCESP), nos últimos 18 meses, os três itens de
maior peso na composição tarifária foram: veículo, mão de obra e combustível,
com crescimento de 42%, 12,5% e 104%, respectivamente: 90% dos custos básicos
aumentam exponencialmente sem que as empresas tivessem tempo de absorver,
quanto mais de repassar esses valores, já que o repasse médio praticado não
chegou à casa dos 7% para o período.
Fonte: Monitor Mercantil / Foto: Divulgação