Publicado em: 23/12/2022
Principal modal de movimentação de cargas no Brasil, o
transporte rodoviário de
cargas (TRC) é um dos setores que se manteve em alta nos últimos anos, mesmo
com a pandemia. Segundo dados da 8ª edição do relatório Fretebras, apenas no
primeiro semestre de 2022 o setor cresceu cerca de 38% no volume de carga
transportada, em comparação com o mesmo período de 2021.
O mesmo estudo aponta ainda o registro da movimentação de R$
49 bilhões pelo TRC, o que contribuiu para a elevação do Produto Interno Bruto
(PIB) brasileiro em 2,1%, em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Para Marcel Zorzin, diretor operacional da Zorzin Logística
– transportadora com mais de 50 anos de experiência e especializada no
transporte de produtos químicos –, mesmo com os bons números, há pontos que
exigirão atenção em 2023 para que seja possível manter a saúde financeira do
setor, principalmente a questão do diesel. Com uma série de altas e oscilações
durante todo o ano, o combustível chegou a atingir a média de R$ 7,10 por litro
em junho, com a máxima chegando a R$ 8,95.
“Apesar de o ano ter sido bom, o óleo diesel foi o calcanhar
de Aquiles do transporte. Foi algo que bateu de imediato no segmento.
Precisamos que, em 2023, o próximo governo trabalhe para padronizar o custo do
combustível, porque senão você quebra o país, quebra os empresários. Se o
diesel não tivesse tido essa variação por causa da guerra e da política de
preços da Petrobras, teríamos evitado muitos problemas para o setor. Muitas
empresas não conseguiram mais operar, por conta dos custos, e acabaram
quebrando. Não fosse por isso, 2022 teria sido um ano ótimo para o segmento”,
afirmou o executivo.
Mesmo com estas questões, o segmento aguarda crescimento em
2023 e mantém as expectativas pelo que as mudanças políticas trarão.
“Este ano tivemos um crescimento considerável, e a
expectativa é que consigamos manter este embalo. Se não tivermos problemas
sérios na economia, tudo
indica que teremos um ano muito bom para nós. Além disso, esperamos que haja um
bom entendimento entre os novos governos para que o transporte rodoviário de
cargas se mantenha forte”, analisa Zorzin.
Completando, Marcel também acredita que os últimos anos,
principalmente por conta da pandemia, deram um novo patamar ao transporte rodoviário de
cargas.
“Entendo que nosso setor também precisou encarar
dificuldades e desafios durante a pandemia, sobretudo os motoristas que
precisaram se expor e continuar trabalhando para não deixar faltar nada no
país. Em um momento em que não se sabia bem o que era essencial ou não, o
transporte de cargas se mostrou uma atividade essencial. Nós não paramos, e
muita empresa colocou caminhão para fazer entrega de vacinas de graça. Então, o
TRC mostrou o que ele é e o valor que ele possui. Ainda precisamos de mais
valorização, e espero que continuem dando a atenção devida que o setor merece”,
finalizou.
Fonte: NTC&Logística / Foto: Divulgação/Blog do
Caminhoneiro