Publicado em: 26/08/2022
O agronegócio é um dos segmentos mais importantes para a
economia do Paraná. Apenas em relação às exportações,
o estado alcançou em maio deste ano o montante de US$ 1,54 bilhão em exportações
do agro, o que representa 10,2% das vendas externas brasileiras no período –
atrás apenas do Mato Grosso e de São Paulo. Esse cenário demanda toda atenção
ao que pode melhorar a produtividade do setor e uma das questões é o tratamento
do solo.
Como explica Eduardo Caires, agrônomo e professor de
fertilidade do solo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), que
pesquisa o tema há mais de 30 anos, os solos brasileiros são naturalmente
ácidos e apresentam baixa disponibilidade de componentes básicos, como Cálcio e
Magnésio. “O calcário corrige a acidez do solo, estimula a atividade
microbiana, favorece o crescimento das raízes e aumenta a disponibilidade de
nutrientes. A calagem é a prática que mais aumenta a eficiência do uso de fertilizantes”,
explica o professor, que cita a técnica de uso de calcário na terra.
Claudio Grochowicz, coordenador do Conselho Setorial Mineral
da Fiep, reforça a importância da utilização do calcário na produção, uma vez
que é a opção mais eficiente para neutralizar essa acidez e é capaz de torná-la
mais produtiva e sustentável.
“O fato de o país ter 70% dos solos com acidez elevada reduz
em cerca de 30% a produção agrícola. As lavouras que ainda não usam o calcário
têm a produtividade e a renda de produtores prejudicadas. Em um solo ácido, os
nutrientes que estão nele ou que foram adicionados via adubação não estão
totalmente disponíveis para as plantas. Ou seja, uma parcela importante dos
fertilizantes não é absorvida, causando perda de renda”, complementa.
Apesar de ser um dos insumos de melhor custo na agricultura
e que oferece uma excelente taxa de retorno, o uso está abaixo do que deveria
em muitas regiões brasileiras. O Paraná apresenta déficit na adoção do recurso,
mesmo sendo o quarto maior produtor do país. O coordenador estima que, em um
ano, seis milhões de toneladas de calcário são aplicadas nas áreas agrícolas
paranaenses. Porém, a necessidade seria de oito milhões de toneladas.
Vale destacar que a reação do calcário é lenta e uma única
aplicação não resolve a acidez do solo. “Ao longo de vários anos de
pesquisa, hoje sabemos que a calagem superficial é capaz de proporcionar
adequada correção da acidez do solo e aumentar a sustentabilidade do plantio
direto, desde que se acerte a dose e a frequência de aplicação do calcário na
superfície. É necessário fazer um monitoramento adequado do solo por meio de
análises químicas rotineiras para saber o momento mais adequado para se fazer
uma nova aplicação”, explica o professor Eduardo Caires.
O tempo de reação do calcário no solo vai depender de uma
série de fatores:
·
Tipo de solo;
·
Dose de calcário empregada;
·
Qualidade do corretivo;
·
Sistema de cultivo;
·
Manejo de fertilizantes (especialmente os
nitrogenados que são acidificantes);
·
Precipitação pluvial.
Lavouras
que usam o calcário
Como explica Claudio Grochowicz, a melhor maneira para se
determinar se um solo tem necessidade de calcário e o cálculo da quantidade é
partindo-se da análise de solo por meio da assessoria de um engenheiro
agrônomo. As cooperativas podem ajudar nesse processo, assim como no apoio
logístico para a aquisição do produto, pois outro fator que dificulta o acesso
é o custo do frete, que muitas vezes acaba sendo maior que o do próprio
corretivo. Por esse motivo, é importante buscar calcário de boa qualidade e que
esteja o mais próximo possível da propriedade.
O produtor rural Dilso Colpo, que produz na região Oeste do
Paraná principalmente soja, milho, trigo e feijão, conta que começou a usar
calcário há bastante tempo, desde o início da mecanização, sempre com
orientação das análises de solo. “No sistema de plantio direto, o calcário
é um insumo da maior importância para melhoria da produtividade. Com certeza é
uma ótima recomendação o seu uso”, comenta.
Uso do
calcário no agro movimenta setor extrativista
Jan Petter, proprietário da Itatinga Calcário e Corretivos,
conta que a empresa que nasceu há mais de 30 anos já começou suas atividades
ligada ao agronegócio e a parceria continua. “Desde os anos 70 já fazia
parte dos itens essenciais. Quem sempre usou nunca teve dúvida, pois sem ele
nada funciona. A terra realmente precisa. Os que sempre usaram avançaram em
tudo, tecnologia, máquinas, adubações, plantio direto. É benéfico, inclusive,
para a pecuária, uma vez que o solo fértil contribui com a alimentação do gado,
o que tem o potencial de elevar os lucros. Quanto mais pasto e melhoria para as
mães, melhor a qualidade dos bezerros”, comenta.
Como os especialistas da área defendem, é preciso divulgar
os benefícios do calcário para que mais produtores entendam e os acessem.
Enquanto isso, no setor extrativista, o aumento da demanda tem sido
sentida. “Nos últimos anos, o setor se fortaleceu principalmente devido ao
crescimento do mercado agrícola. Com mais recursos, os produtores investem na
qualidade da terra. Muitos investiram bastante e vão ter resultados daqui pra
frente”, acrescenta Jan Petter.
Contudo, ele acredita que devido ao preço dos insumos e
impactos atuais, como os causados pela guerra
na Ucrânia, este ano não deve ter crescimento em relação aos anos
anteriores. Ele reforça a necessidade da união dos produtores de calcário para
se fortalecer, tanto em relação à qualidade da matéria-prima quanto sobre o
preço e demais fatores que influenciam na competitividade do segmento.
Produção
no Paraná
A produção de calcário é uma atividade extrativista e no
Paraná ocorre na região metropolitana de Curitiba e dos Campos Gerais –
municípios de Almirante Tamandaré, Rio Branco do Sul, Itaperuçu, Colombo, Ponta
Grossa e Castro. O estado tem um dos melhores calcários agrícolas do Brasil por
sua qualidade química nos teores de cálcio e magnésio, além da baixa taxa de
impurezas.
O Paraná responde por 9% das empresas do ramo no país e 9%
dos empregos gerados nesse segmento industrial em todo o território nacional.
No total, são 2.800 empregos diretos distribuídos em 160 empresas.
Fonte: G1 – Sistema FIEP / Foto: AdobeStock