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Veja como anda um caminhão elétrico criado no Brasil
Até o final do ano, a Volkswagen vai colocar nas ruas de São
Paulo seu primeiro veículo elétrico do país. Mas não se trata de um automóvel.
O responsável pelo feito é o e-Delivery, o primeiro caminhão elétrico
desenvolvido no Brasil.No início, ele começa a rodar em um programa piloto, em
parceria com uma empresa de bebidas. O passo seguinte já foi pensado: o modelo
poderá ser encontrado nas concessionárias da marca em 2020.De onde veio a ideia de fazer um caminhão elétrico no
Brasil? O e-Delivery foi uma “encomenda” da matriz, na Alemanha, para a filial
brasileira, com sede em Resende (RJ). Apesar da criação local, ele poderá ser
comercializado também em outros países.Com a missão dada, a Volkswagen buscou parcerias com duas
empresas brasileiras: Eletra e Weg ficaram responsáveis pelo motor e pelo
sistema de tração, respectivamente.O e-Delivery é um caminhão da categoria leve, e transporta
até 11 toneladas (a versão de produção também terá opção para levar 9
toneladas).Para isso, conta com motor que entrega 109 cavalos e 50,3
kgfm de torque. Como comparação, o Delivery diesel de 11 toneladas tem um 3.8
de 175 cv e 61,2 kgfm.Aliás, os dois modelos compartilham a plataforma, com
algumas alterações no modelo elétrico, como a acomodação das baterias entre os
eixos. Externamente, os dois caminhões são idênticos.Falando nas baterias, a autonomia do e-Delivery é de 200 km.
Pode não parecer muito, mas, segundo a Volkswagen, é o suficiente para atender
à demanda dos clientes deste tipo de veículo. O primeiro operador do caminhão
elétrico, por exemplo, só deve rodar 100 km por dia.Ainda assim, a empresa fala que é possível recuperar 30% da
carga em apenas 15 minutos (usando um carregador rápido) – é o tempo daquele
“cafezinho” para o motorista e os auxiliares.Outra opção é carregar as baterias enquanto os produtos são
descarregados. O processo completo leva 3 horas na tomada convencional. Mas a
Volkswagen pretende instalar pontos de recarga rápida.“Estamos trabalhando para implementar pontos de recarga nas
concessionárias e nos clientes”, disse o vice-presidente de Vendas, Marketing e
Pós-Vendas da divisão de caminhões da Volkswagen, Ricardo Alouche.Um ponto positivo é que sistemas auxiliares, como bombas de
água e da direção e o ar-condicionado, são acionados por motores elétricos
independentes.O G1 participou do único test-drive realizado até agora para
jornalistas do e-Delivery, na pista de testes da Volkswagen Caminhões, em
Resende (RJ). Como o modelo é um protótipo, ele ainda não pode andar nas ruas.O contato com o caminhão foi bastante restrito, em uma pista
com duas retas, poucas curvas e uma ladeira com inclinação de 20 graus.Mesmo carregado, o e-Delivery surpreende pela entrega
imediata de torque – característica mais marcante em veículos elétricos.A transmissão é automática de seis marchas, produzida pela
Allison.Como se trata de um veículo voltado para o trabalho, não é
possível fazer comparações de desempenho com carros de passeio. Um motorista de
caminhão se preocupa menos com arrancadas e retomadas, por exemplo.Ainda assim, as respostas são satisfatórias.O e-Delivery é bastante amigável e fácil de dirigir. E
também não faz barulho.Um ponto que pode melhorar é a transição entre o momento que
o motorista tira o pé do acelerador e acelera novamente. Nessas situações, o
caminhão ainda dá alguns “trancos” nessas transições.Por outro lado, a instrumentação é bastante clara. Um dos
grafismos, que mostra quanto de energia está sendo consumido – em uma escala de
0 a 10, até lembra um conta-giros.No mesmo quadro, é possível ver quando o caminhão está
recuperando a energia, o que ocorre em desacelerações e frenagens. Já o
marcador de combustível foi substituído pela autonomia restante.A Volkswagen afirmou que, no futuro, o conjunto do
e-Delivery poderá ter variações. Tudo para adequar o produto ao perfil do
cliente. Entre os exemplos, estão a adoção de mais de um motor elétrico e a
remoção do câmbio.Desta forma, ele funcionaria como alguns carros elétricos,
onde a energia vai direto para as rodas, sem passar por uma transmissão.Além da parte mecânica, também será possível ajustar a
autonomia de acordo com a necessidade.Com mais baterias, por exemplo, o conjunto fica mais pesado,
reduzindo a capacidade de carga, mas aumentando a distância que pode ser
percorrida.No entanto, se não houver a demanda por rotas longas, é
possível expandir a capacidade, reduzindo o número de baterias, e, como
consequência, o peso do veículo.O e-Delivery deve ser o primeiro caminhão elétrico a ser
vendido no Brasil. No exterior, outras marcas se movimentam para colocar opções
no mercado nos próximos anos.A Daimler, dona da Mercedes-Benz, anunciou dois caminhões
elétricos. Um deles, do segmento pesado, será lançado pela marca Freighliner em
2021. O outro, o Mercedes eActros, já está em testes em transportadoras
europeias.Rival da Mercedes, a Volvo também colocou seu caminhão
elétrico nas ruas. O FL Electric já roda por Gotemburgo, na Suécia. As vendas,
no entanto, só começam no ano que vem.O caminhão elétrico mais conhecido até agora é o da
americana Tesla. A expectativa é que ele comece a ser vendido no ano que vem,
mas a fabricante tem histórico de atrasar entregas de produtos. Futurista,
promete autonomia de 800 km e aceleração de 0 a 100 km/h em 5 segundos, quando vazio.A pergunta acima é válida não apenas para o e-Delivery, mas
para qualquer veículo elétrico.Ainda assim, ela é respondida com otimismo pelos executivos
da Volkswagen, mesmo que ainda haja muitas incertezas quanto aos valores de
venda.Para a marca, o custo de propriedade será a principal
vantagem do caminhão elétrico em relação aos similares a diesel. A manutenção,
por exemplo, é bem mais simples. Como existe a frenagem regenerativa,
pastilhas, discos e fluídos de freio devem durar três vezes mais.Além disso, há 50% menos peças, exigindo menos revisões, e
baixando o custo por km rodado em três vezes, segundo a empresa.Por outro lado, o preço de compra será bem maior do que um
caminhão diesel.“Hoje, [o e-Delivery] custa de 3 a 4 vezes mais do que um diesel.
Isso, considerando um baixo volume de produção. Até 2020, o veículo sofrerá uma
série de reduções de custo. A estimativa é que o preço de compra seja
inferior”, afirma o executivo.É curioso pensar que, apesar de todo o esforço da indústria
de carros em criar modelos elétricos, um caminhão pode ser o responsável por
pavimentar a estrada para a tecnologia que desponta como solução para o
esgotamento de recursos do planeta. E melhor ainda se o projeto for nacional. Fonte: G1