Publicado em: 24/06/2022
Em visita ao Paraná, o ministro da Indústria e Comércio do
Paraguai, Luis Alberto Castiglioni, foi recebido nesta quinta-feira (23) pelo
vice-governador Darci Piana, no Palácio Iguaçu. A Ponte da Integração, a Nova
Ferroeste e a logística com transporte multimodal foram os pontos mais
destacados da conversa. O foco do encontro foi como fortalecer mutuamente
a logística e a economia do Paraná e do Paraguai.
“Paraná e Paraguai não são apenas vizinhos, são aliados
naturais, irmãos. E ter duas pontes internacionais entre nós é símbolo dessa
boa relação”, definiu o ministro. “Já compartilhamos a terra roxa, que
favorece a agricultura de ambos. E convivemos todos os dias com os paranaenses,
podendo aprender muito com toda a potência que tem o Estado do Paraná, como um
país, praticamente, e aproveitar o que tem o Paraguai, para que os dois possam
desenvolver mutuamente o comércio, com a utilização da infraestrutura que
favorece os dois lados do Rio Paraná”.
A Ponte da Integração, a que o ministro se
referiu, está em fase final de construção sobre o Rio Paraná, no bairro Porto
Meira, próximo à Tríplice Fronteira do Brasil, Paraguai e Argentina. No lado
paraguaio, a obra vai alcançar o município de Presidente Franco, vizinho de
Cidade de Leste, onde está a Ponte Internacional da Amizade. Com a obra
concluída, todo o transporte de cargas entre os dois países será feito pela
nova passagem, tirando o trânsito pesado da Ponte da Amizade e liberando o
local para atender somente turistas e passageiros.
O vice-governador destacou que outros elos entre o território
paranaense e o paraguaio podem ser formados a partir dela. “Temos uma grande
fronteira com o Paraguai. Somos também o maior cliente do Paraguai, entre os
estados brasileiros, depois de São Paulo. Estreitar cada vez mais o
relacionamento é de grande interesse e podemos fazer isso agora especialmente
na logística pela Nova Ferroeste, com o ramal de Foz do Iguaçu, e com a ponte
no meio rodoviário”, disse Piana.
O traçado da Nova Ferroeste vai
ligar Maracaju, no Mato Grosso do Sul, ao Porto de Paranaguá, favorecendo todo
o setor produtivo não só do Brasil, mas também o Paraguai, com o ramal entre
Cascavel e Foz do Iguaçu. “Futuramente podemos estender a conexão pelo
Paraguai, Argentina e Chile, e chegar até Antofagasta, criando o corredor
bioceânico multimodal que vai ligar o Pacífico ao Atlântico”, acrescentou
Piana.
O olhar do Paraná para um transporte multimodal vem ao encontro
do que, segundo o ministro, está acontecendo também no país vizinho. O Paraguai
tem investido na formatação desse corredor ao norte do país em linha
horizontal. A obra abrirá uma nova rota para exportações de produtos para a
Ásia, e viabilizará o desenvolvimento de uma região isolada do Paraguai, o
Chaco.
“Também estamos com um projeto de conexão interna, por ferrovia,
pelas áreas de maior produção agrícola do país. Outro ponto é a hidrovia. Hoje
85% da importação e exportação com o Brasil entra pela hidrovia
Paraná-Paraguai. Uma ligação férrea facilitada iria minimizar os custos do
transporte. A parceria com o setor privado será fundamental”, destacou o
ministro paraguaio.
ECONOMIA – Os representantes destacaram
ainda os pontos fortes de suas economias. Na agricultura, o Paraguai
experimentou grande crescimento na cultura da soja, com ação de brasileiros que
foram plantar no país, e se tornou um dos principais exportadores mundiais do
produto. Na pecuária, é o 26º maior produtor de carne bovina do mundo. “Além
disso, a nossa indústria farmacêutica cresceu 50% em pouco tempo e está
substituindo os fornecedores estrangeiros no consumo interno, além de começar a
exportar medicamentos”, destacou o ministro.
Piana falou sobre a produção de proteínas do Paraná,
especialmente de suínos e de peixes. “Somos vice-líder na produção de suínos e
temos espaço para crescer e chegar mais perto de Santa Catarina com novos
investimentos. E estamos avançando a cada ano na produção de tilápias, na qual
somos referência nacional”, citou.
De acordo com o mapeamento do IBGE, o Paraná liderou em números absolutos o desempenho entre as
unidades federativas do País na produção de carne suína neste
primeiro trimestre, o que ajudou o Brasil a alcançar o melhor primeiro
trimestre para o setor desde o início da série histórica, em 1997. O volume
exportado de carne suína de origem paranaense registrou aumento, passando de
34,3 mil toneladas no primeiro trimestre de 2021 para 35,5 mil nos três meses
deste ano. Os principais destinos foram Hong-Kong, Argentina, Uruguai e
Cingapura.
Na piscicultura, o Paraná desponta como o principal produtor de peixes de cultivo no Brasil. No
último levantamento do Anuário PeixeBR, referente a 2021, o Estado alcançou a
marca de 188 mil toneladas, das quais 182 mil de tilápias. O registro do
Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que
oferece visão detalhada de exportações e importações do agronegócio brasileiro,
mostra que os 240% a mais no volume de pescados exportados pelo Paraná
representam um salto de 350 toneladas para 1,2 mil toneladas, enquanto a
receita disparou de US$ 568 mil no primeiro trimestre do ano passado para US$
3,2 milhões entre janeiro e março de 2022.
PRESENÇAS –
Participaram do encontro o assessor da presidência da Invest Paraná, Rogério
Chaves; a assessora de Relações Internacionais da Invest Paraná, Bruna
Radaelli; a chefe do Escritório de Representação no Paraná – Erepar, ministro
Pedro da Cunha e Menezes; o secretário do Erepar, Paulo Fernando Pinheiro
Machado; secretário do Erepar, Braúlio Pupim; a vice-ministra da Rede de
Investimentos e Exportações, Estefania Laterza; e o cônsul-geral da República
do Paraguai, ministro Celso Santiago Riquelme.
Fonte:
Governo do Estado do Paraná / Foto: Vice-Governadoria