Publicado em: 21/06/2023

Acidentes e transtornos em estradas levam desde a prejuízos incalculáveis, como em situações com vítimas, a mais custos para empresas, perda de competitividade e de investimento para a indústria. Desde o fim das concessões do pedágio do Paraná, a qualidade das estradas do estado sofreu mais impactos, principalmente devido à ação das chuvas, e as notícias de acidentes e congestionamentos são frequentes.

 

Segundo dados do Observatório da Polícia Rodoviária Federal (PRF), os últimos dois anos registraram a média diária de 20 acidentes, um aumento de 2,2%, e crescimento de 8% no número de mortes, o que acontece também por conta das infrações de trânsito, como excesso de velocidade e ultrapassagens proibidas.

 

O acúmulo de chuvas, que tem provocado desmoronamentos e afundamentos de pistas, pioram o cenário que atinge também – e diretamente – a economia e a atividade industrial. Os congestionamentos, filas e interdições prejudicam as condições logísticas e aumentam os custos do transporte. O frete de Paranaguá para Curitiba, por exemplo, chegou a ser até 30% mais caro recentemente, como explica João Arthur Mohr, gerente de Assuntos Estratégicos da Fiep.

 

“Isso acontece porque as transportadores e os caminhoneiros têm mais dificuldades para os trajetos e gastam mais combustível e tempo. Apesar de o governo estadual estar fazendo um trabalho com guinchos e ambulâncias, mesmo nas rodovias federais, o tempo de resposta para desobstruir uma pista quando um caminhão tomba e derruba a carga com a concessionária dos pedágios era muito menor”, exemplifica.

 

Estradas ruins e a perda de competitividade

 

Entre os prejuízos que estradas em más condições podem provocar para a economia estão questões como a perda de competitividade devido ao aumento do “custo logístico”, que hoje no Brasil é de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) enquanto países como os Estados Unidos é de cerca de 7%, de acordo com o estudo Custos Logísticos no Brasil, do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos).

 

Ou seja, há perda de competitividade quando o produto sai da indústria para o destino final, pois o custo encarece, e se o país estiver competindo com outros que conseguirem apresentar propostas mais interessantes de preço, tende a ficar pra trás.

 

Além disso, as cidades que são servidas com pistas duplas têm uma facilidade muito maior de atração de investimentos. Cargas, tanto matérias-primas quanto produtos acabados, precisam ir e vir de forma segura e com custo logístico condizente.

 

“As rodovias são essenciais para a indústria, 80% das nossas cargas que chegam e saem do Porto de Paranaguá utilizam o modal rodoviário. Então, é fundamental ter rodovias em boas condições, que deem fluidez, velocidade média boa, que as cargas não fiquem paradas em congestionamentos e interdições, defende João Arthur Mohr”.

 

Outro ponto que prejudica a produtividade, desenvolvimento e fluxo de caixa é a obrigação de aumentar o estoque quando a rodovia não garante a operação no just in time, ou seja, no método de gerenciamento logístico no qual todas as ações são realizadas apenas no momento no qual precisam ser, sem adiantamentos que podem provocar desperdícios.

 

Quando as estradas estão em condições ruins, com congestionamentos e atrasos, para ter uma garantia é preciso aumentar o nível de estoque de matéria-prima, o que gera um custo financeiro maior, pois o dinheiro vai ser usado para mitigar riscos de se ter a produção parada ou o de não entregar um produto para o cliente, enquanto poderia ser direcionado a um novo investimento.

 

Soluções a caminho

 

Essas situações terão resposta com o novo modelo de pedágio, cujos editais dos lotes 1 e 2 já foram definidos e serão licitados nos dias 25 de agosto e 29 de setembro, respectivamente.

 

Além disso, todas as necessidades de logística e transporte do estado estão contempladas no PELT 2035, que está em fase de distribuição entre os políticos e entidades de representação do Paraná para que possam defender estes investimentos. As principais obras do Plano também estão previstas no novo modelo de pedágio e há verbas federais e estaduais garantidas para as obras importantes que não estão na parte pedagiada.

 

Com as duplicações de 1.800 quilômetros de estradas, a capacidade logística do Paraná deve ser muito melhor. “Com rodovias em ótimo estado de conservação, e duplicadas, se consegue atrair mais investimentos, trazer capital de novos investidores e fazer com que as empresas daqui ampliem suas unidades e não precisem buscar de outro lugar que tenha custo logístico melhor. Com isso, geramos mais empregos, renda e desenvolvimento”, explica o gerente de Assuntos Estratégicos da Fiep.

 

A manutenção correta das vias, até o novo formato de pedágio estar em atuação, precisa ser mantida para evitar acidentes, principalmente em período de férias escolares, quando o fluxo tende a se intensificar, e em dias chuvosos como os que têm sido registrados no estado.

 

Fonte: g1 Sistema FIEP/ Foto: Gelson Bampi

Você sabe o quanto as rodovias podem ajudar ou prejudicar a economia?