Publicado em: 12/07/2022
O volume de
serviços prestados no país avançou 0,9% na passagem de abril para maio. É o
terceiro resultado positivo do setor nos últimos quatro meses, período em que
acumulou ganho de 3,3%. No mês anterior, houve recuo de 0,1%. Com o resultado
de maio, o setor se encontra 8,4% acima do nível pré-pandemia, registrado em
fevereiro de 2020, e 2,8% abaixo do ponto mais alto da série histórica da
Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), alcançado em novembro de 2014. Os dados
foram divulgados hoje (12) pelo IBGE.
Todas as cinco
atividades investigadas pela pesquisa acompanharam o resultado positivo. O
gerente da PMS, Rodrigo Lobo, explica que esse crescimento disseminado pelas
atividades se tornou mais frequente pelos efeitos da pandemia. “Antes de 2020,
era bem mais raro ver as atividades crescendo de forma simultânea. Isso tem
relação com a base de comparação baixa por causa dos efeitos das medidas de
isolamento social, especialmente nos serviços de caráter presencial. De lá para
cá, com a redução das restrições, essas atividades seguem em ritmo mais
acelerado”, analisa.
O setor de
transportes, com expansão de 0,9%, foi um dos que mais impactaram o avanço dos
serviços em maio. Com esse crescimento, o segmento recupera uma parte da retração
de 2,5% registrada em abril. No ano, os transportes acumulam expansão de 14,9%.
“Os serviços de
tecnologia da informação e o transporte de cargas foram os motores que
impulsionaram o resultado de maio. O transporte de cargas, especialmente o
rodoviário, além de atender à demanda do comércio eletrônico e do setor
agropecuário, também tem sido importante para o setor industrial, notadamente
os bens de capital e os bens intermediários, que são as categorias de uso que
operam acima do nível pré-pandemia”, explica Lobo. Ao crescer 1,8%, o
transporte de cargas atingiu o ponto mais alto de sua série histórica, iniciada
em janeiro de 2011.
Outro grande
impacto no índice geral veio do segmento de informação e comunicação, que,
assim como o setor de transportes, também avançou 0,9% em maio. Esse resultado
é o terceiro positivo consecutivo da atividade, acumulando crescimento de 3,4%
nesse período. “Em maio, o setor de tecnologia da informação cresceu 2,4%,
também atingindo o maior patamar da sua série histórica. As empresas desse
segmento, como as de desenvolvimento de aplicativos e as ferramentas de busca
na internet, permanecem aproveitando as oportunidades de negócio criadas a
partir da pandemia, em que serviços como a digitalização, as mídias digitais,
as interfaces remotas de comunicação e o armazenamento de dados em nuvem
tiveram aumentos expressivos de demanda por parte das empresas”, destaca o
pesquisador.
O segmento de
outros serviços, ao avançar 3,1%, recuperou parte da perda de 3,0% registrada
no mês anterior. “Esse setor é bastante heterogêneo, reunindo, por exemplo,
atividades de apoio à produção florestal, imobiliárias e de conserto de
automóveis. Mas as que têm um impacto maior dentro desse setor são os serviços
financeiros auxiliares, tais como administração de bolsas, consultoria de
investimento financeiro e corretoras de títulos e valores mobiliários”,
explica. O resultado de maio permitiu que o setor de outros serviços voltasse a
operar acima do nível pré-pandemia (+1,0%). No caso dos serviços profissionais,
administrativos e complementares, o aumento de 1,0%, em maio, implicou na
recuperação integral do revés verificado em abril (-0,5%).
Com expansão de
1,9%, os serviços prestados às famílias acumulam ganho de 8,1% nos três últimos
meses. Mesmo com o avanço, esse segmento ainda se encontra 7,0% abaixo do nível
de fevereiro de 2020. “É o único dos cinco setores investigados que ainda opera
abaixo desse nível. Com a diminuição das restrições, há uma procura maior por
esses serviços de caráter presencial, como restaurante e hotéis. Em um nível
menor, há também uma busca por atividades de condicionamento físico, como
academias, por exemplo”, afirma Lobo.
Na passagem de
abril para maio, 16 das 27 unidades da Federação acompanharam o movimento de
crescimento. Entre elas, os maiores impactos vieram de São Paulo (0,6%) e de
Minas Gerais (3,3%), seguidos por Santa Catarina (3,3%), Mato Grosso do Sul
(5,3%) e Amazonas (3,7%). As principais influências negativas vieram de
Pernambuco (-3,1%), Rio de Janeiro (-0,2%), Mato Grosso (-1,7%) e Paraná
(-0,4%).
Serviços
avançam 9,2% na comparação interanual
Frente a maio
do ano passado, os serviços avançaram 9,2%, a 15ª taxa positiva consecutiva
neste indicador. As principais influências sobre o crescimento total vieram do
setor de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (12,5%) e o
de serviços prestados às famílias (39,0%).
Rodrigo Lobo
explica que os resultados robustos apresentados pelos serviços de caráter
presencial ainda são reflexo do processo de flexibilização das medidas
restritivas e do avanço da vacinação, que vêm, com isso, impulsionando
paulatinamente a retomada do setor de serviços. “Mas não se pode perder de
vista o protagonismo apresentado pelos serviços voltados às empresas, em
especial, os serviços de tecnologia da informação e o transporte de cargas”,
avalia.
Os demais
avanços entre as atividades vieram dos serviços profissionais, administrativos
e complementares (9,6%) e de informação e comunicação (4,0%). A única taxa
negativa do mês ficou com o setor de outros serviços (-4,0%). Lobo destaca que,
por ter sido pouco atingida pelos efeitos da pandemia, essa atividade tinha uma
base de comparação mais alta.
Atividades
turísticas crescem 2,6% em maio
O índice de
atividades turísticas cresceu 2,6% em maio. É o terceiro resultado positivo
consecutivo, período em que acumulou um ganho de 11,7%. Com as altas seguidas,
o segmento de turismo se encontra apenas 0,1% abaixo do patamar pré-pandemia.
“Esse é um
aglomerado de 22 serviços que são mais correlatos à atividade turística. Apesar
de não ter superado o patamar de antes da pandemia, é o ponto mais próximo que
já atingiu. Isso também é uma consequência da retomada das buscas por
atividades presenciais”, destaca o gerente da pesquisa.
Somente quatro
dos 12 locais pesquisados acompanharam o crescimento da atividade turística
nacional. Entre os locais que mais contribuíram para o resultado estão São
Paulo (2,5%), Rio Grande do Sul (3,9%), Bahia (1,5%) e Ceará (2,3%). Já Rio de
Janeiro (-2,8%), Goiás (-9,6%), Paraná (-4,4%) e Santa Catarina (-4,8%)
recuaram na comparação com abril.
Volume de
transporte de passageiros variou -0,3%
Quando
comparado ao mês anterior, o volume de transporte de passageiros variou -0,3%
em maio, após ter acumulado um ganho de 27,2% entre novembro do ano passado e o
último mês de abril. Com o resultado, o segmento se encontra 0,4% abaixo do
nível pré-pandemia e 22,0% abaixo de fevereiro de 2014, o ponto mais alto da
série histórica. No mês anterior, o transporte de passageiros superou pela
primeira vez o patamar de fevereiro de 2020, mas em maio voltou a operar abaixo
desse nível.
“O transporte
de passageiros mostrou uma ligeira variação negativa em maio. Ele vinha
crescendo nessa toada de aumento da mobilidade urbana, no transporte dentro da
cidade, no aumento dos voos, seja para viagens a trabalho ou a lazer, mas sem
ter o mesmo impacto de transporte de cargas”, afirma Lobo.
O volume de
transporte de cargas teve expansão de 1,8%, acumulando crescimento de 13,0%
desde outubro de 2021. É o maior nível da série histórica desse segmento, que
está 25,9% acima do nível de fevereiro de 2020.
Mais sobre a
PMS
A PMS produz
indicadores que permitem acompanhar o comportamento conjuntural do setor de
serviços no país, investigando a receita bruta de serviços nas empresas
formalmente constituídas, com 20 ou mais pessoas ocupadas, que desempenham como
principal atividade um serviço não financeiro, excluídas as áreas de saúde e
educação. Há resultados para o Brasil e todas as unidades da Federação. Os
resultados podem ser consultados no Sidra.
Fonte: Agência IBGE Notícias / Foto: Pixabay