Publicado em: 10/03/2026

A saúde mental no ambiente corporativo passou a ter papel ainda mais estratégico na gestão de segurança e saúde no trabalho. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), empresas brasileiras deverão incluir os riscos psicossociais no processo de gerenciamento de riscos ocupacionais, integrando esses fatores ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

A mudança reforça a necessidade de identificar e controlar situações que possam afetar o bem-estar emocional dos trabalhadores, como excesso de carga de trabalho, pressão constante por resultados, conflitos interpessoais, falta de apoio da liderança e assédio moral. A medida amplia o olhar das empresas para além dos riscos físicos e ambientais, incluindo também aspectos relacionados à saúde mental.

A NR-1 determina que todas as empresas que possuem empregados devem realizar o gerenciamento de riscos ocupacionais, independentemente do porte ou setor de atuação. Isso inclui o mapeamento dos riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho.

O processo começa com a identificação das atividades e setores da organização e a análise de fatores que possam impactar a saúde mental dos trabalhadores. Após essa etapa, é realizada a análise do risco, que avalia a probabilidade de ocorrência dessas situações e o impacto que podem causar na saúde dos colaboradores. Ferramentas como pesquisas de clima organizacional, entrevistas com funcionários, análise de afastamentos e avaliações internas ajudam a compor esse diagnóstico.

Com base nessas informações, a empresa deve elaborar um plano de ação com medidas preventivas e corretivas, que passa a integrar o inventário de riscos ocupacionais e deve ser acompanhado periodicamente.

Além do diagnóstico, a norma incentiva a implementação de práticas que promovam um ambiente de trabalho mais saudável. Entre as ações que podem ser adotadas pelas empresas estão programas de apoio psicológico ou assistência emocional, capacitação de lideranças para gestão de equipes e prevenção de conflitos e políticas de equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.

Organizações que adotam políticas estruturadas de bem-estar tendem a registrar redução do absenteísmo, menor número de afastamentos por doenças mentais, aumento do engajamento das equipes e melhora no clima organizacional. Além disso, a adequação às novas diretrizes contribui para reduzir passivos trabalhistas e reforçar o compromisso das empresas com boas práticas de governança e responsabilidade social.


Fonte: Tribuna Hoje

Atualização da NR-1 reforça responsabilidade das empresas na gestão de riscos psicossociais