Publicado em: 01/04/2026

O preço do diesel voltou a ser foco nacional com os últimos conflitos internacionais. Diante do confronto no Oriente Médio, a paralisação do Estreito de Ormuz dificultou a distribuição do óleo para o restante do globo e aumentou a pressão sobre o preço dos combustíveis, com um aumento de 20% no valor do barril na primeira semana. A rota é um dos principais pontos de escoamento de milhões de barris por dia. No Paraná, o aumento do diesel atingiu um recorde histórico, subindo 25,5% entre os meses de fevereiro e março.

Apesar de ser um forte produtor de petróleo, o Brasil ainda depende da importação de derivados do óleo, como o diesel. O combustível é um dos principais custos logísticos das transportadoras, chegando a 50% das despesas da operação. Sendo o modal rodoviário responsável por cerca de 65% do que é transportado no país, o preço do combustível impacta diretamente a eficiência do setor. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o país produz 4 milhões de barris por dia para uma demanda de 2,6 milhões. No entanto, o Estado importa 600 mil barris de derivados diariamente, com o diesel representando metade dessa quantidade. 

Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística do Oeste do Paraná (SINTROPAR), Edson Roberto Pilati, a preocupação reside na imprevisibilidade da duração das ações militares. “Nosso principal desafio é a imprevisibilidade, pois parece-me que esse conflito tende a demorar mais do que o Ocidente previa. E sendo assim, com a questão do fechamento do Estreito de Ormuz, isso significa um represamento muito grande da produção mundial de petróleo”, comenta o executivo. 

Outro ponto de atenção do presidente são os estoques de diesel das transportadoras. Ainda que estas consigam armazenar o combustível em tempos de normalidade, a quantidade ainda é muito pequena perto da necessidade das frotas. “Essa restrição tem um impacto imediato no preço do petróleo. E como isso chega de imediato, os estoques que as grandes e médias transportadoras, que conseguem ter um programa de estoque de combustível, ainda é ínfimo, perto do mercado total que o transporte movimenta”, completa Edson Pilati.

Sobre as consequências dessa imprevisibilidade na cadeia logística como um todo, Pilati reflete, em especial, sobre o agronegócio. “Não é só o transporte que sofre com essa questão da variação de preços do petróleo. No agronegócio, por exemplo, boa parte do fertilizante químico importado pelo Brasil vinha do Irã. Além dos fertilizantes, o diesel é muito importante também para as máquinas agrícolas, para plantio, para colheita, ele é diretamente alocado nessa questão da preparação”, afirma.

Numa tentativa de diminuir o impacto do preço do petróleo para o consumidor, o Paraná aderiu ao programa do Governo Federal que diminui a carga tributária sobre o diesel. A decisão tem como objetivo garantir o abastecimento para todo estado e conter a instabilidade do preço do combustível. A ação prevê subsídio de R$1,20 por litro do óleo, sendo metade assumida pelo estado e a outra metade pela União. Inicialmente, a medida tem vigência de dois meses.

Edson Pilati também aponta para a possibilidade de repasse dos valores. “O diesel representa 50% dos nossos custos. Tendo esse custo tão alto e a movimentação diária tão imprevisível, nós sentimos muito no caixa e precisamos repassar. Nenhuma transportadora vai conseguir continuar trabalhando com os preços de frete normais”, Edson Pilati conclui. “Essa negociação de fretes tem que ser feita dia a dia. Outra possibilidade é repassar esse custo para o mercado consumidor, o que gera outro desafio, porque acaba gerando uma inflação. Então a cadeia toda acaba sentindo os efeitos do aumento do custo do diesel”, analisa o executivo.

Quanto ao papel do SINTROPAR, o presidente considera a entidade um pilar para divulgação de informações sobre o assunto e mantém a comunicação constante com seus associados. “Nós estamos acompanhando atentamente o desdobramento e os cenários dessa variação dos custos pertinentes ao transporte. Estamos ouvindo nossos associados e acompanhando as outras entidades nos cenários regional e nacional, tentando municiar de informação, que é o que nós conseguimos agora, para que eles também consigam tomar as melhores decisões”, comenta Pilati. 

O executivo ainda reforça a importância da troca com os colaboradores: “Temos o papel de ponte muito importante para toda a cadeia e essa é a importância da nossa comunicação. Estamos colocando na nossa sociedade quais as causas do aumento, o porquê das negociações dos fretes, o quão importante é o diálogo e a conversa com os fornecedores e com os clientes ”, finaliza Edson Pilati.


Aumento do diesel pressiona setor de transporte de cargas paranaense