Publicado em: 23/09/2026

A formação e a renovação da mão de obra estão entre os desafios que ganham espaço no transporte rodoviário de cargas, especialmente em atividades que exigem preparação técnica específica. No transporte de produtos perigosos, um novo retrato desse cenário é apresentado pelo Perfil Empresarial – Brasil, estudo solicitado pela Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP) e desenvolvido pelo Instituto Paulista do Transporte de Carga (IPTC). A análise reúne dados de 98.841 trabalhadores formais, dos quais 50.163 são motoristas, e revela características importantes sobre escolaridade, diversidade e qualificação dos profissionais do segmento.

A escolaridade ajuda a dimensionar esse perfil. Entre os trabalhadores identificados, 65.527, ou 66,3%, possuem ensino médio completo, enquanto 17,3% concluíram o ensino fundamental, 9,3% têm ensino fundamental incompleto e 6,8% possuem ensino superior. Como o levantamento reúne diferentes funções e apresenta forte presença de profissionais operacionais, os números também mostram que o grau acadêmico, isoladamente, não traduz toda a especialização exigida pela atividade.

De acordo com o presidente da ABTLP, Oswaldo Caixeta, a qualificação necessária para atuar no transporte de produtos perigosos é construída de forma contínua e envolve conhecimentos que vão além do nível de escolaridade. “Quando falamos em especialização, não nos referimos apenas à formação acadêmica, mas principalmente ao conhecimento específico exigido pela atividade. Isso envolve cursos de formação e capacitação, treinamentos técnicos, certificação e atualização constante sobre normas, procedimentos e segurança”.

Essa característica ganha ainda mais relevância em uma atividade submetida a exigências regulatórias e operacionais específicas, nas quais atualização técnica e domínio dos procedimentos de segurança fazem parte da rotina. Para a ABTLP, a preparação é uma característica forte nos profissionais do setor. 

“Esses profissionais estão sempre buscando aperfeiçoamento, acompanhando as mudanças nas normas e também as novas práticas do mercado. Estamos falando de uma atividade em que segurança, responsabilidade e qualificação precisam caminhar juntas”, avalia Caixeta. 


Diversidade e renovação ampliam os desafios da mão de obra

O recorte por gênero também evidencia um desafio para o segmento. Dos 98.841 trabalhadores formais mapeados, 13.067 são mulheres, o equivalente a 13,2% do total. Entre os motoristas, porém, a participação cai para 1,1%, com 553 mulheres entre 50.163 profissionais.

Para a ABTLP, ampliar essa presença depende de uma série de elementos que ainda não estão plenamente estabelecidos. “A presença feminina em nosso setor depende de diversos fatores, desde a ampliação das oportunidades de ingresso e qualificação até a criação de ambientes de trabalho mais inclusivos e preparados para receber essas profissionais. Ainda existem muitos desafios, mas percebemos um avanço gradual da participação das mulheres, inclusive em funções técnicas, operacionais e de liderança. Um avanço de forma natural, à medida que as oportunidades se ampliam”, reflete Oswaldo.

A renovação dos motoristas é outro ponto de atenção. Embora o estudo identifique mais de 50 mil profissionais na função, o setor enfrenta dificuldades para atrair novos condutores, desafio ainda mais sensível no transporte de produtos perigosos por exigir qualificações específicas.

“A escassez de motoristas profissionais é uma realidade enfrentada pelo transporte de cargas e tem se tornado mais crítica a cada ano. O maior desafio é atrair novos profissionais para a atividade e, ao mesmo tempo, valorizar e manter aqueles que já atuam no setor, oferecendo qualificação, segurança e melhores perspectivas de carreira. No nosso segmento, o problema é ainda mais complexo, pois a atividade exige profissionais experientes, altamente capacitados e preparados para cumprir normas rigorosas de segurança e assumir responsabilidades que vão muito além da condução do veículo”, destaca o presidente da ABTLP.

Para ampliar o acesso à capacitação, a ABTLP desenvolveu, em parceria com o SEST SENAT, um curso gratuito e a distância para Condutores de Veículos de Carga (CVC), que já alcançou milhares de motoristas no país. A entidade também prepara para este ano uma nova formação EAD, voltada à sinalização dos veículos utilizados no transporte de produtos perigosos e à aplicação correta das exigências técnicas e regulatórias.

“A ABTLP sempre teve a educação e a qualificação profissional entre os principais pilares de sua atuação. Entendemos que um transporte mais seguro começa necessariamente pela preparação das pessoas que fazem parte dessa atividade”, conclui Caixeta.


Fonte: Sala da Notícia 

Estudo mapeia 98,8 mil profissionais do transporte de produtos perigosos e aponta desafios de formação e renovação do setor