Publicado em: 30/11/2022
Não é preciso ser um expert em mercado imobiliário para
perceber que os empreendimentos lançados no Paraná, em especial os de alto
padrão colocados no mercado em Curitiba, costumam ter na sustentabilidade uma
característica comum. E aqui não falamos apenas do reaproveitamento de água das
chuvas – prevista em legislação, inclusive – ou de bosques preservados, mas de
soluções e tecnologias adotadas em projeto que tornam os edifícios mais
eficientes e, reconhecidamente, sustentáveis.
Para se ter ideia, um levantamento realizado pela Petinelli,
empresa de engenharia e sustentabilidade, aponta que 37% dos edifícios
residenciais do Brasil que buscam uma certificação na área estão localizados no
estado. O que significa que a cada três edifícios que pretendem se tornar
verdes no país, um está no Paraná. O levantamento leva em consideração a base do
Green Building Council Brasil, responsável pela certificação LEED, que está
entre as mais reconhecidas do mundo.
Para Guido Petinelli, CEO da empresa, tais resultados
decorrem da evolução e abertura do mercado imobiliário brasileiro para a
tecnologia e inovação que ocorreu há pouco mais de 10 anos, quando o setor
imobiliário estava em plena expansão.
“Isto significa que começamos mais cedo. Não tão cedo quanto
os americanos e europeus, mas como país emergente, começamos cedo. Termos
começado na hora certa, com condições favoráveis, nos deu o pontapé inicial.
São Paulo e Rio de Janeiro ainda são os maiores mercados [em volume], mas o Sul
mostrou ter vocação para a sustentabilidade. Esse conceito foi se
interiorizando, vemos ele sendo aplicado em empreendimentos menores. O Sul
desenvolve conhecimento e expertise [para o restante do país]”, destaca.
Qualidade que gera resultado
E isso se deu de forma orgânica, quase desproposital, como
lembra o CEO da Petinelli. Afinal, para boa parte dos empreendimentos
residenciais lançados no Paraná com a chancela de sustentável, a certificação
veio como uma consequência de um projeto bem executado, voltado à eficiência da
edificação com vistas a proporcionar maior conforto e qualidade de vida aos
seus moradores, e não a conquista da certificação em si.
“São empresas como a Laguna, que deu o pontapé inicial e
tornou isso uma realidade. Ela não estava buscando a certificação, mas como
atua no mercado de alto padrão, foi atrás de melhorar o seu produto,
construindo um prédio melhor, mais eficiente e confortável e, consequentemente,
mais sustentável”, reforça Petinelli ao referenciar o Llum, empreendimento da
construtora eleito o prédio mais sustentável do mundo em 2021 pelo prêmio LEED
Homes Awards, promovido pela US Green Building Council (USGBC). Entre os
critérios avaliados estavam design, bem-estar, sustentabilidade e saúde e
impacto/igualdade.
Neste ano de 2022, a empresa inaugurou um novo
empreendimento listado entre os mais sustentáveis do mundo, a Galeria Laguna,
onde funciona a central de vendas da construtora. Com projeto de arquitetura do
escritório Estúdio 41, de Curitiba, e consultoria da Petinelli, a obra agrega
os selos LEED Platinum, WELL Platinum, LEED Zero Energy, LEED Zero Water, LEED
Zero Waste e LEED Zero Carbon, o que faz com que ela supere a certificação de
obras como o One World Trade Center e a sede da Apple, em Cupertino (EUA).
“O que acontece em Curitiba não acontece em nenhum lugar do
Brasil. Aqui o setor imobiliário adota a certificação de uma forma que não se
vê acontecer, a definição de um empreendimento superluxo passa a incluir
sustentabilidade, conforto, bem-estar, tendo a certificação como premissa. Se
se pega as principais construtoras da cidade, AG7, MDGP, GT Building, Laguna,
que estão construindo os melhores prédios da cidade, todas começam a adotar a
certificação”, acrescenta o CEO da Petinelli, que não descarta a influência da
cultura curitibana pela sustentabilidade, seja a promovida pelos programas de
coleta seletiva do lixo, parques públicos e soluções em transporte apresentados
décadas passadas, sobre a iniciativa das construtoras em buscarem produtos mais
ambientalmente corretos e dos consumidores em reconhecerem neles tais
atributos com mais facilidade.
Fonte: Gazeta do Povo / Foto: Eduardo Bragança