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Placas novas serão apenas para veículos novos e transferidos
Os atuais proprietários de veículos não serão obrigados a
trocar as placas pelo novo modelo adotado no Mercosul, formado por Brasil,
Argentina, Paraguai e Uruguai. A resolução 729 do Conselho Nacional de
Trânsito, que está sendo revista, obrigava a troca até o final de 2023.A afirmação foi feita pelo presidente do Departamento
Nacional de Trânsito (Denatran), Maurício Pereira, em audiência da Comissão de
Viação e Transportes da Câmara dos Deputados, realizada nesta quarta-feira
(25).A nova resolução, que deverá ser discutida pelo Conselho
Nacional de Trânsito (Contran) no dia 10 de maio, tornará a nova placa
obrigatória apenas nas transferências de veículos usados e na compra de carros
novos. A placa terá itens de segurança que permitirão a rastreabilidade dos
carros por meio de QR code e chip, impedindo também a clonagem.Apesar disso, Pereira disse que a nova placa terá um valor
menor que a antiga, que hoje custa entre R$ 150 e R$ 200 o par de placas. O
deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), presidente da comissão, pediu ao Denatran
que investigue casos em que os preços das placas estão muito acima destes
valores.“Existe no sistema atual algumas localidades que estão sendo
alvo de cartéis, em Minas Gerais. Nós temos cidades que um par de placas chega
a R$ 800. Um par de placas que o custo da matéria prima não passa de R$ 20”,
disse Sávio.Carla Araújo, empresária do setor de fabricação de placas,
disse que a nova placa terá custos novos, mas que os preços referidos pelo
deputado não são os praticados pelo setor. “A tendência dos produtos quando é
feito um investimento, uma mudança, é aumentar. Mas para não aumentar o custo
para o consumidor, o Denatran tem colocado, inclusive dentro da (resolução)
729, que quer excluir os atravessadores. Porque hoje estas placas são vendidas
por este preço, mas não é no fabricante, não é no estampador. Ela é vendida a
esse preço por atravessadores, que são despachantes, que são concessionárias,
principalmente de veículos novos”, explicou Carla Araújo. Preços na internetRone Barbosa, do Ministério dos Transportes, explicou que os
fabricantes terão que colocar seus preços na internet para que o consumidor
possa fazer uma comparação.Em março, o Ministério Público Federal relatou a existência
de cartel no mercado de fabricação de placas para carros na Bahia entre os anos
de 2003 e 2010, com a participação do Detran. Documentos e depoimentos
revelaram a imposição de tabelas, fixação de preços e a divisão de mercado
entre concorrentes.A resolução 729 acabou sendo suspensa porque os estampadores
de placas reclamaram que o normativo exigia que uma mesma empresa fosse
responsável por toda a fabricação. Só que o mercado trabalha com a
terceirização da fase final, que é a estampagem. A mudança poderia causar a
perda de 10 mil empregos, de acordo com os representantes do setor. Rone
Barbosa disse que a nova resolução vai reconhecer os estampadores, mas vai
exigir a identificação do responsável pelo produto final na própria placa.“Apenas as pessoas jurídicas serão diferentes, estampador e
fabricante. Mas a forma como nós desenhamos a identidade única de cada um dos
elementos vai permitir que a gente faça este monitoramento e tenha um controle
todo de forma sistêmica”, disse. Canal verdeJoão Paulo de Souza, da Agência Nacional dos Transportes
Terrestres (ANTT), explicou que a nova placa vai permitir uma maior efetividade
do chamado “canal verde”, que é um sistema que permite o controle de pessoas e
cargas por meio de postos com antenas de rádio frequência. A medida melhora a
fiscalização, evitando a parada dos caminhões, por exemplo.A placa terá o mesmo desenho em todos os países do Mercosul
com quatro letras e três números em fundo branco. No Brasil, selos
identificarão o estado e o município.
Fonte: ABTC